Sábado, 4 de abril de 2026
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A três semanas das eleições federais nas quais os alemães vão escolher os novos integrantes do Bundestag (Parlamento Federal), a disputa – antes considerada fria e maçante – tornou-se acirrada.

Dois fatores foram decisivos para a mudança. Primeiro, as eleições regionais de 30 de agosto nos estados de Sarre, Turíngia e Saxônia, nas quais o partido A Esquerda (Die Linke) conseguiu um número importante de votos para a legenda governista CDU (União Democrática Cristã). Como conseqüência, o partido da atual chanceler Angela Merkel, apesar de ser o mais votado nos três estados, terá que ceder o poder tanto em Sarre como em Turíngia para A Esquerda, que poderá, por sua vez, governar sob uma coalizão.

O segundo fator que esquentou a corrida eleitoral e pode se converter em pedras no caminho da reeleição de Angela Merkel como chanceler foi o bombardeio no Afeganistão ocorrido em 3 de setembro por ordem das forças alemãs. Com a morte de civis, a atitude gerou severas críticas ao governo alemão.

Apesar disso, especialistas asseguram que a CDU obterá a maioria de votos nas eleições federais do próximo 27 de setembro, o que contudo não será suficiente para alcançar a maioria no Parlamento.

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“O interessante e relevante desta eleição é com quem a CDU fará coalizão para governar”, disse ao Opera Mundi Sebastian Schoepp, analista político e jornalista do impresso alemão Süddeutsche Zeitung.

Durante os últimos quatro anos, a Alemanha tem sido governada pela Grande Coalizão, integrada pelos dois partidos mais importantes do país, e rivais entre si: a CDU, encabeçada por Angela Merkel, e o SPD (Partido Social-Democrata), liderado por Frank-Walter Steinmeier, ministro do Exterior.

“A coalizão navegou muito bem pelas águas turvas da crise econômica. Solucionaram, por exemplo, o problema da quebra do banco Hypo Real Estate que ameaçava colapsar todo o sistema financeiro. Mas, pessoalmente, duvido que os social-democratas queiram seguir na coalizão porque, embora ela funcione muito bem, na realidade, debilitou o SPD”, explicou Schoepp.

O analista também afirma que todas as pesquisas preveem que a CDU terá cerca de 35% do total dos votos, enquanto que o SPD obteria aproximadamente 25%. “Com esses resultados, a Grande Coalizão poderia seguir governando, apesar de isto não ser precisamente o que o candidato do SPD, Steinmeier, prefere”.

Mas o fator Afeganistão começa a lançar as primeiras consequências. De acordo com pesquisas divulgadas na quarta-feira passada, A Esquerda – que foi o único partido no Parlamento Federal a se pronunciar pela saída imediata das tropas alemãs do Afeganistão – começa a ganhar pontos na preferência do eleitorado. A presença de tropas alemãs no país asiático não é do agrado da maioria dos alemães.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Forsa, A Esquerda registrou um crescimento de quatro pontos, o que a colocaria em possibilidade de alcançar 14% da votação local. Já a pesquisa feita pelo IfD Allensbach dá dois pontos a mais ao partido liderado por Oskar Lafontaine e o localiza com possibilidades de alcançar 11,5% da votação.

Com isso, a definição da coalizão que dirigirá o destino dos alemães durante os próximos quatro anos ainda é incerta.

“O Partido Liberal (FDP) também terá um papel importante. Tenho a impressão que capitalizarão os votos das pessoas que estão inconformadas com as políticas econômicas que impulsionaram a Grande Coalizão. As pesquisas também lhe dão cerca de 15% dos votos. Contudo, não estou seguro de que Merkel e a CDU estejam muito convencidos de trabalhar com eles, por conta da natureza neoliberal do partido”, explica Schoepp.

O analista também comenta sobre a possibilidade de uma grande coalizão de esquerda formada pelo partido A Esquerda, os partidos Verdes e o SPD, o que deixaria de fora Merkel e seu partido. Mas esta união, de acordo com Schoepp, é pouco provável. “A má reputação e o estigma que A Esquerda ainda tem como sucessora do antigo RDA (Partido Comunista da República Democrática Alemã) são fatores que detém o SPD de se aliar a eles”, diz.

Assim, a moeda foi lançada e ainda está no ar.

Disputas regionais e bombardeio no Afeganistão esquentam disputa eleitoral na Alemanha

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