Sábado, 11 de abril de 2026
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A cada dia, um novo racha surge na Conferência de Copenhague. Nesta quarta-feira (9), o mal estar foi causado pelo Tavalu – um pequeno arquipélago no Oceano Pacífico, de 11 mil habitantes e que sofre diretamente com o avanços das águas.

Os delegados da ilha conseguiram suspender a conferência por alguns momentos para pedir que países emergentes como Brasil, China e Índia aumentem os esforços na estabilização dos gases causadores do efeito estufa. 

Georges Gobet/AFP



O primeiro-ministro de Tuvalu, Apisai Ielemia, ao centro, chega a uma reunião da União Europeia em Bruxelas.

A UE busca reunir um fundo multimilionário para auxiliar nações mais pobres a combater os efeitos do aquecimento global

Tuvalu propôs uma emenda “juridicamente vinculante” ao Protocolo de Quito, pela qual a partir de 2013 se atribuirão objetivos de reduções aos grandes países emergentes, que atualmente geram mais da metade dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

O arquipélago sugeriu a criação de um grupo de contato sobre o tema, mas “China, Índia e Arábia Saudita bloquearam a proposta”, declarou o delegado de Tuvalu, Taukiei Kitara.

O representante do Brasil, Sergio Serra, estimou que “Tuvalu tem uma preocupação muito legítima para um possível acordo mais ambicioso” sobre o aquecimento global, “mas não estamos de acordo com o objetivo de redução obrigatório”.

“É algo que o Brasil não está preparado para discutir”, disse.

O delegado chinês, Yu Qingtai, revelou que Pequim “apoia firmemente as preocupações dos estados mais vulneráveis e menos desenvolvidos sobre como combater a mudança climática”, mas destacou que “somos todos países em desenvolvimento, todos vítimas do aquecimento climático causado pelos países desenvolvidos”.

“Talvez haja diferenças em nossa ideia específica de como conseguir estas mudanças”, admitiu Yu Qingtai.

Figueiredo Machado, negou que haja um racha nas negociações do G77 – grupo que representa a maior parte dos países pobres e em desenvolvimento. “É natural que haja às vezes algumas divergências, que são democraticamente discutidas, são postas na mesa e se tenta chegar a um consenso. O grupo é de fato bastante diverso e convivemos com isso”, afirmou o diplomata.

Sobre as queixas da China que afirma que os países ricos querem transformar as metas dos emergentes em obrigatórias, o diplomata afirmou que o assunto está fora de questão.

Relatório

As tensões na Conferência do Clima começaram na terça-feira, após o vazamento do esboço de um “texto dinamarquês”, divulgado pelo jornal britânico The Guardian. O documento, apoiado por Estados Unidos e Grã-Bretanha, determina o aumento do poder dos países ricos, reduz o papel da ONU nas negociações e elimina o protocolo de Quioto.

A proposta ainda estabelece limites desiguais para a redução per capita das emissões de carbono entre países desenvolvidos e emergentes em 2050, permitindo que os ricos emitam quase o dobro de carbono per capita, em relação aos emergentes.

*Com agências

Discussão sobre clima divide países em desenvolvimento

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