Dino: governo pode reavaliar permanência do Brasil no Tribunal Penal Internacional
Evitando se referir diretamente ao caso de Putin, ministro da Justiça disse que presidente Lula ‘alertou corretamente que há um desbalanceamento’ na entidade, usando ausências de China e EUA como exemplos
Em declaração à imprensa nesta terça-feira (13/09), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que o governo brasileiro poderia reavaliar a manutenção do Brasil no Estatuto de Roma, documento que dá sustentação ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Essa possibilidade colocaria em xeque a continuidade do país entre aqueles que aceitam a legitimidade da corte.
A discussão sobre o caso surgiu no domingo (10/09), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em coletiva durante a cúpula do G20, na Índia, disse que Putin poderia vir ao Brasil na edição do ano que vem do evento, que acontecerá no Rio de Janeiro, sem o temor de ser preso. O comentário faz alusão ao fato de que o TPI expediu uma ordem de captura contra ele por supostos crimes de guerra cometidos na Ucrânia.
Na segunda-feira (11/09), Lula voltou atrás e disse que a prisão ou não de Putin, em uma hipotética visita ao Brasil, não depende dele e sim da Justiça brasileira, que aceita as determinações do TPI. Porém, nessa mesma declaração, o presidente aproveitou para questionar “por que o Brasil é signatário de um tratado que os Estados Unidos não respeitam”.
Na entrevista desta quarta-feira, Dino reforçou essa indagação de Lula. Sem se referir diretamente ao caso de Putin, o ministro da Justiça afirmou que “o TPI foi incorporado ao direito brasileiro, porém, como muitos países do mundo não o fizeram, inclusive os mais poderosos, o presidente Lula alertou corretamente que há um desbalanceamento”.
Para esclarecer a todos, informo que não há nenhuma proposta, nesse momento, de saída do Brasil do Tribunal Penal Internacional. Vejam EXATAMENTE o que falei respondendo a uma pergunta na manhã de hoje, no Senado >> pic.twitter.com/VMMdqvQaZI
— Flávio Dino ?? (@FlavioDino) September 13, 2023
Em seguida, Dino especificou que “países mais poderosos” estão ausentes da corte internacional. “Os Estados Unidos, a China e outros países importantes não aderiram ao Estatuto de Roma”, em alusão ao documento que sustenta a existência do TPI.

Lula Marques / Agência Brasil
Dino se referiu às declarações recentes de Lula durante a reunião do G20, na Índia
“Não se trata de uma decisão tomada. A diplomacia brasileira pode rever a adesão a esse acordo, uma vez que não houve essa igualdade entre as nações que o documento original prega. Esse foi o alerta que o presidente fez”, alegou o ministro.
No final da entrevista, Dino respondeu um questionamento mais direto sobre o caso de Putin, afirmando que “seria uma decisão de natureza política, seria preciso que essa situação se configurasse para que haja uma análise sobre o cumprimento ou não desse tratado internacional”.
No programa OUTUBRO desta terça-feira (12/09), no canal de Youtube de Opera Mundi, o tema da permanência do Brasil no TPI foi amplamente debatido pelos convidados Amanda Harumy, Hugo Albuquerque e Sérgio Amadeu, e pelo apresentador Haroldo Ceravolo Sereza. Veja o programa na íntegra:























