Dilma e Obama ignoram crise sobre energia nuclear após tragédia no Japão
Dilma e Obama ignoram crise sobre energia nuclear após tragédia no Japão

A crise nuclear que atinge usinas no Japão e colocou em xeque o uso desse tipo de matriz energética no mundo parece não ter sido prioridade nas conversas entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a presidente brasileira, Dilma Rousseff. Nos pronunciamentos à imprensa após o encontro bilateral, ambos exaltaram as oportunidades de parceria econômica e política e o novo momento na relação entre os dois países, mas não mencionaram nenhuma vez os esforços japoneses para conter a deterioração das usinas de Fukushima.
Após o devastador terremoto seguido de tsunami que atingiu o país no dia 11 de março, diversas nações, como Alemanha e Suíça, anunciaram o congelamento de seus programas nucleares, com a demonstração de instabilidade nuclear no Japão. Na área energética, Obama confirmou a intenção dos EUA de se tornarem um grande consumidor do petróleo da camada pré-sal.
Os discursos de Dilma e Obama foram marcados pela tentativa de demonstrar uma reaproximação entre os dois países. O norte-americano começou dizendo que o fato de ter escolhido o Brasil para sua primeira visita à América Latina não foi à toa. Obama afirmou que a ascensão “extraordinária” do Brasil nos últimos anos “capturou a atenção do mundo”, destacando o resgate de milhões de pessoas da pobreza. Obama repetiu a intenção de expandir o comércio com o Brasil e as parcerias em pesquisa tecnológica, educação e em projetos de promoção da democracia, especialmente em países da África.
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O presidente destacou ainda a posição de liderança regional e global do país – com menções à política de combate às mudanças climáticas e o controle à expansão de armas nucleares – simbolizada pela consolidação do G20 e o aumento de nossa participação nos organismos econômicos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. Obama, no entanto, evitou apoiar claramente a candidatura brasileira a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Críticas
Dilma, por outro lado, abandonou o discurso conciliador em alguns momentos e deixou escapar críticas à política norte-americana de combate à crise financeira internacional. Em referência à chamada “guerra cambial”, a presidente brasileira criticou “medidas de grande vulto” que fragilizam as moedas ao redor do planeta e levam ao protecionismo. Os EUA são acusados de inundar o planeta com dólares, desvalorizando a moeda e aumentando a competitividade de suas exportações. Com isso, o déficit da balança comercial entre Brasil e EUA gira em torno de oito bilhões de dólares.
A presidente também cobrou a derrubada de barreiras comerciais a produtos brasileiros como etanol, carne bovina, algodão e aço. Segundo Dilma, a relação entre dois grandes países, por maiores que sejam suas diferenças, deve se dar em uma construção “entre iguais”.
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