Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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Uma suspeita de espionagem chilena no Peru está abalando a relação entre os dois vizinhos sul-americanos. A mídia peruana publicou que um suboficial da força aérea que serviu na embaixada de seu país no Chile até 2003 teria sido descoberto fazendo espionagem para o país vizinho. O militar está detido desde a quinta-feira passada. O Chile, porém, nega envolvimento.
A denúncia foi veiculada nesta sexta-feira (13) pela emissora de rádio RPP (Radioprogramas de Perú).
Hoje (14), o governo do Peru chamou de volta “para consultas” seu embaixador em Santiago. O presidente peruano, Alan García, que estava em Cingapura, decidiu antecipar seu retorno a Lima, sem reunir-se com a colega chilena, Michelle Bachelet.
O chanceler peruano, José García Belaúnde, declarou à imprensa local que também foi cancelada a visita a Santiago da ministra peruana da Produção, Mercedes Aráoz, na semana que vem. Ela iria ao Chile para explicar os termos da proposta peruana para reduzir as compras de armamentos na América do Sul.
“Eu acho que as condições neste momento não fazem aconselhável avançar em projetos como a visita da ministra Aráoz a Santiago”, disse o chanceler à RPP.

Em Cingapura, onde está para a Cúpula do Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacifico), García Belaúnde disse que a espionagem é um ato “pouco amistoso e ofensivo” com o Peru.
“Este caso está confirmado. Agora a justiça deve agir com todo rigor contra os responsáveis por este gesto ofensivo ao país”, declarou o ministro ao Canal N da televisão local.
“O presidente García decidiu antecipar seu retorno a Lima porque esta é uma situação delicada”, acrescentou.
Entretanto, o ministro do Exterior do Chile, Mariano Fernández, negou a denúncia.

“Negamos as acusações de que o governo chileno esteja envolvido em qualquer atividade ilegal a respeito das relações entre os dois países”, disse Fernández, que também está em Cingapura, acompanhando Bachelet.

Prisão perpétua
Neste sábado, um juiz de Lima ordenou a prisão de dois suboficiais peruanos e a captura de outros dois militares chilenos acusados de envolvimento no caso.

As acusações são espionagem, revelação de segredos nacionais e lavagem de dinheiro em agravo do Estado.

Fontes do Ministério da Defesa disseram hoje à agência de notícias espanhola EFE que o caso “era conhecido com antecipação”, mas que havia instruções de guardar absolutor sigilo.
A emissora RPP disse que o suboficial teria recebido entre 5 mil e 8 mil dólares mensais durante o tempo em que espionou para o Chile. Ele teria sido descoberto quando tentava recrutar outro colega para trabalhar como agente duplo.
A mídia peruana afirma que o suboficial poderia ser acusado de traição à pátria, crime punido com prisão perpétua.
A RPP também informou que o suboficial, de 45 anos, teria confessado a espionagem à polícia especializada e à promotoria e delatado que vinha sendo extorquido por um capitão e um major que estavam alocados na mesma unidade. No entanto, o militar se negou a revelar com quem trabalhou no Peru para realizar a espionagem.

Denúncia de espionagem detona crise entre Chile e Peru

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