Domingo, 3 de maio de 2026
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O presidente do Chile, Gabriel Boric, recordou nesta segunda-feira (11/09) os 50 anos do golpe de Estado do dia 11 de setembro de 1973, que colocou fim ao governo da Unidade Popular, como era conhecido o projeto de “socialismo pela via democrática”, do então mandatário Salvador Allende (1970-1973). 

Em discurso realizado na Praça da Constituição, em Frente ao Palácio de La Moneda, durante o o ato Democracia hoje, amanhã e sempre, Boric disse que a data recorda “aqueles que defenderam a Constituição e as leis contra os que atentaram contra o Estado de Direito há 50 anos, esmagando a democracia com a força dos aviões, dos tanques e das armas”.

O presidente chileno também enfatizou que a cerimônia estava dedicada a Allende e aos chilenos que militaram na resistência contra a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), muitas das quais perderam suas vidas durante essa luta. O mandatário do Chile disse que o golpe de 1973 não pode ser “separado do que veio depois”. Para ele, as “violações dos direitos humanos começaram no mesmo dia do golpe”.

Segundo Boric, o dia que completou 50 anos do golpe contra Allende teve um peso da “longa história” que o país enfrentou e a “importância de recordar todos aqueles que percorreram essa história e aqueles que acompanharam e acolheram a dor do momento em que ela foi interrompida”.

“Porque sabemos que no meio do terror surgiram organizações com dificuldade, com ameaças, e a quem hoje prestamos homenagem, porque elas afirmaram, nos momentos difíceis, a dignidade e a solidariedade quando elas eram mais necessárias, em ações humildes, muitas vezes anônimas, que trouxeram à tona o que há de melhor na humanidade”, destacou Boric.

Com o fim da ditadura de Pinochet após 17 anos de regime autoritário, Boric falou ser preciso recordar desse período, mesmo sendo uma “verdade incômoda”, para apontar que a “democracia não está garantida e que temos de trabalhar transversalmente todos os dias para cuidar dela”.

Fala durante ato oficial de rememoração do golpe contra Salvador Allende em 1973, atual mandatário chileno defendeu ‘reencontro nacional baseado em verdade, justiça e reparação’

Twitter / @GabrielBoric

Presidente Boric discursou durante evento que marcou os 50 anos do golpe contra Salvador Allende

Outro importante momento do discurso foi quando o mandatário chileno falou sobre a necessidade ainda vigente de reconciliação entre os chilenos, mas ressaltando que o “reencontro nacional não pode partir da lógica do empate, tentando igualar as responsabilidades entre as vítimas e seus algozes”

Segundo ele, essa dinâmica tem que ser ao contrário: “esse reencontro precisa se basear em um compromisso inquebrantável dos diferentes setores com os princípios de verdade, justiça e reparação, e também com o grito que as mulheres chilenas realizaram horas atrás, dizendo ‘nunca mais’ à violência política no país”.

O último trecho dessa declaração de Boric se refere ao ato realizado na noite de domingo (10/09), em frente ao Palácio de La Moneda, por milhares de mulheres convocadas pelo Coletivo Feminista 8M, com a consigna “nunca mais a democracia bombardeada”.

Boric reivindica a figura de Allende

Ainda no discurso, o presidente chileno reivindicou a figura e memória de Allende, afirmando que o projeto do ex-presidente foi “liderado por um homem com uma carreira democrática impecável”, apontando que o socialista foi um “intérprete de grandes desejos de justiça, que deu a sua palavra de que respeitaria a Constituição e as leis e o fez”.

“Por esse compromisso, daqui a 50 anos, o mundo continua a homenageá-lo e a respeitá-lo […]. Às vezes há quem nos exorte a esconder o seu nome, porém […] quando se vai a praticamente qualquer país democrático do mundo, se encontra com o nome de Salvador Allende”, disse.

Ao finalizar, o presidente do Chile disse ter “total convicção e certeza de que, se nos unirmos, podemos seguir adiante. Quando somos capazes de colocar o bem estar de nossos povos acima de nossas diferenças, o resultado é o melhor de nós. Por isso, compatriotas, proclamamos com muita convicção que a violência nunca mais vai substituir o debate democrático. Democracia hoje e sempre”.

Opera Mundi tem uma série especial com relatos de brasileiros que viveram o fim do governo Allende e início da ditadura Pinochet, episódio que completa 50 anos em 11 de setembro de 2023. 

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