Terça-feira, 19 de maio de 2026
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Quando se trata de explicar o que leva milhares de pessoas todos os dias às ruas para pedir a renúncia de Hosni Mubarak, crise econômica e esgotamento de um regime totalitário são os principais aspectos mencionados. No entanto, a existência de um governo comandado por civis, e não por militares, é também uma das principais demandas, de acordo com o historiador Pedro Paulo Funari, professor do Departamento de História e Coordenador do Centro de Estudos Avançados da Unicamp.

Em entrevista ao Opera Mundi, ele explica que o que levou os egípcios a pedir o fim de um governo que já dura quase 30 anos é principalmente o alto índice de desemprego, a inflação, a corrupção, mas que há também uma real demanda por um presidente civil.

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“É uma revolta impulsionada por uma população jovem, que nunca teve eleições livres, que pede uma democracia, mas também um governo civil, que não seja comandando por um militar”, afirmou Funari.

Efe



Desde o dia 25 de janeiro, egípcios protestam para pedir a saída do presidente, apesar da repressão

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O Egito encerrou 2010 com desemprego a 20%. Em 2007, o mesmo número era de 10,1%. Já a inflação chegou a 11.90 % em 2010, enquanto em 2007 estava em 6,5%.

O historiador lembra que o país nunca teve regimes democráticos. O primeiro presidente assumiu em 1952, após uma revolução que proclamou a república e derrubou o rei Faruk I. Na época, o Egito vivia uma crise depois do fim da primeira Guerra Árabe-Israelense (1948-1949). O rei era acusado de ser responsável pela derrota diante de Israel e da submissão do país ao o Reino Unido, que estava instalado no Canal de Suez. No fim do século XIX, os britânicos haviam invadido e ocupado o Egito.

No dia 23 de julho de 1952, a monarquia foi então derrubada pelo Movimento Oficiais Livres, grupo liderado por Gamal Abdel Nasser e formado por militares egípcios jovens de classe média baixa. No dia seguinte, o rei Faruk se exilou em Mônaco. Num primeiro momento, o general Mohamed Neguib se tornou o presidente e Nasser passou a ser seu assistente, ocupando o posto de vice-presidente. Em menos de um ano, Nasser conseguiu afastar Neguib do poder e tomou seu lugar.

Wikimedia Commons



Nasser promoveu, durante seus quase vinte anos no poder, forte política nacionalista

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Era Nasser

Lembrado por ter sido um presidente nacionalista, Nasser trabalhou para unificar o mundo árabe e dar ao Egito uma independência total. Ele criou um regime de partido único e as eleições presidenciais passaram a ser indiretas. A Irmandade Muçulmana foi colocada na ilegalidade.

Nasser é lembrado também por sua proximidade com a União Soviética e os Estados Unidos, durante a Guerra Fria. Com a economia fragilizada, apelou aos soviéticos para se abastecer de armas e aos norte-americanos para financiar a construção da barragem de Assua, obra que se tornou uma das marcas de seu governo. Dentro do país, ganhou enorme popularidade por nacionalizar o canal de Suez, comandado por britânicos e franceses.

Sua principal derrota foi para Israel na Guerra dos Seis Dias (1967), na qual o Egito perdeu a Faixa de Gaza e o deserto do Sinai. Ainda assim, o regime de Nasser conseguiu sobreviver. Ele chegou a renunciar, mas voltou com apoio popular.

Seu governo acabou em 1970, quando ele teve um ataque cardíaco fulminante. Seu sucessor foi o vice-presidente, Anwar al Sadat, outro militar do Movimento dos Oficiais Livres.

Os anos seguintes

Considerado mais moderado que Nasser, Sadat cortou vínculos com a URSS em 1972 e assegurou ajuda econômica dos norte-americanos. Parte da economia egípcia foi liberalizada, mas a população se ressentiu da alta dos preços, principalmente dos alimentos.

Em 1973, lançou uma ofensiva contra Israel, dando início à Guerra do Yom Kippur, resultando em mais uma derrota para o Egito. No ano seguinte, conseguiu recuperar o canal de Suez.

Em 1977, durante uma visita oficial ao território vizinho, tornou-se o primeiro país árabe a reconhecer o Estado de Israel. Em 1978, assinou com o primeiro-ministro israelense Menachem Begin um acordo de paz permanente – o Acordo de Camp David – que rendeu aos dois um Prêmio Nobel da Paz.

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Wikimedia Commons



Sadat e Begin em Israel

Essa aproximação com os judeus foi criticada por países árabes, principalmente entre os palestinos, que sofriam com a perda de território e demolição de suas casas.

Em outubro de 1981, Sadat foi assassinado no Cairo durante uma parada militar. O crime foi atribuído a militantes islâmicos extremistas, insatisfeitos com a política externa. 
Dias depois, o militar Mubarak assumiu o poder e deu início ao governo atual.

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