Quarta-feira, 6 de maio de 2026
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Como antecipado pelo site colombiano La Silla Vacía na semana passada, a Corte Constitucional da Colômbia derrubou o acordo que regulava o uso de sete bases das forças armadas por militares norte-americanos. Com a decisão, o tribunal frustra mais um dos projetos emblemáticos de Álvaro Uribe e ameaça arruinar a incipiente lua-de-mel entre Hugo Chávez e Jaun Manuel Santos.

Com o voto de sete dos nove juízes, a Corte Constitucional concluiu que o acordo assinado em 30 de outubro de 2009 entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos é um tratado internacional que cria novas obrigações para o Estado colombiano e, portanto, deveria ter tramitado como tal. Ou seja, deveria ter sido levado ao congresso para discussão e aprovação, sancionado pelo presidente e então avaliado pelo tribunal. 

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Os dois magistrados mais próximos de Uribe se opuseram à maioria. Jorge Pretelt alegou que se tratava de um acordo simplificado que desdobrava um tratado internacional e, portanto, não precisava passar pelo congresso. E Mauricio González considerou que algumas partes do acordo configuravam novas obrigações, enquanto outras eram meras execuções de outros tratados de cooperação assinados pela Colômbia.

Embora o parecer de Jorge Iván Palacio propusesse declarar o acordo inexequível e adiar os efeitos da sentença até junho de 2011, a fim de dar tempo para que o presidente obtivesse a aprovação do congresso, seis dos nove juízes – incluindo Palacio – decidiram tornar o pacto de cooperação sem imediatamente após a notificação da decisão (que, pelos prazos normais do tribunal, pode demorar de alguns dias a um semestre). A maioria concluiu que, como o governo não respeitou os procedimentos estabelecidos pela constituição para aprovar um tratado, este realmente não existia juridicamente e, portanto, não seria possível adiar seus efeitos.

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Neste ponto, Nilson Pinilla votou contra a maioria acompanhando os magistrados Pretelt e González, por acreditar que o país devia honrar sua palavra com os EUA por uma regra básica de respeito às relações internacionais.

Implicações

Como se explicou em outro artigo, neste acordo a Colômbia ofereceu aos EUA a possibilidade de usar as bases colombianas para a aterrissagem e decolagem de aviões a caminho de outros países ou continentes como a África, sobrevoar o território nacional sem inspeção e gozar de isenções tributárias e penais (no caso de ser cometido um delito).

O acordo não partia de um pressuposto de reciprocidade, não se limitava ao tráfico de drogas e era tão geral que, no futuro, poderia incluir o que as partes – ou, na prática, os EUA – desejassem. Em troca desses privilégios, o governo de Uribe procurava assegurar por mais dez anos a aliança com a potência do Norte num momento em que a prorrogação do Plano Colômbia era descartada pelos deputados democratas e Barack Obama mudava suas prioridades e aliados no continente.

Para alguns analistas de segurança, o acordo basicamente regulava o que os militares norte-americanos já faziam na Colômbia de modo informal e era benéfico para o país, pois possibilitava a continuação da ajuda de Washington e criava algo a ser oferecido em troca. O acordo também falava explicitamente em compartilhar informação de inteligência – algo que, de qualquer modo, já ocorria.

Mas sua função principal era mostrar “os dentes” a Hugo Chávez e dissuadi-lo de um eventual ataque contra a Colômbia. Se a tensão entre os dois países aumentasse e Chávez decidisse bombardear a base de Palanqueros, por exemplo, a agressão seria interpretada também como um ataque contra os Estados Unidos, o que elevaria o custo da ação.

Avalanche

Embora o chanceler Bermúdez negasse em público que este fosse um objetivo do acordo, esta foi a percepção de Chávez, o que lhe serviu para romper as relações com a Colômbia e aumentar a tensão entre a Unasul e o governo colombiano.

A Corte esclareceu em sua decisão que, embora o acordo fique sem efeito de hoje em diante, tudo o que ocorreu sob ele desde outubro até agora tem validade. E que, além disso, os demais tratados de cooperação militar continuam válidos. A intenção é evitar agora uma avalanche de ações contra o Plano Colômbia e outros acordos que tampouco foram aprovados pelo congresso.

O efeito prático dessa decisão não é grande. Desde a assinatura do Plano Colômbia, há dez anos, os militares norte-americanos têm usado as bases colombianas e, sem o acordo, certamente continuarão a fazê-lo. Eles também têm compartilhado informações de inteligência quando desejam. E, por um tratado assinado por Uribe no início de seu mandato, os militares norte-americanos já gozam de imunidade.

Cooperação

Em todo caso, porta-vozes da coalizão de governo afirmaram, minutos depois de conhecer a decisão, que apresentarão o acordo ao Congresso para que passe pelo trâmite exigido pela lei e, antes do fim da legislatura, chegue novamente à Corte para análise e aprovação. Fora a confusão inicial que a decisão provocará entre algumas autoridades norte-americanas e colombianas, poucas coisas mudarão.

Mas o efeito político poderá ser maior. Em sua reunião de reconciliação na semana passada, Juan Manuel Santos e Chávez prometeram “virar a página” e iniciar uma nova era de cooperação. Supunha-se que Santos herdaria de Uribe o acordo das bases que tanto incomodara o presidente venezuelano e pouco ou nada poderia fazer a respeito.

Agora, com a decisão do tribunal, apresentar ou não este acordo ao congresso torna-se uma prerrogativa de Santos. E então Chávez descobrirá que, com modos melhores e sem diplomacia de microfone, Santos seguirá, nesse tema, os passos de Uribe.

Publicado originalmente no site La Silla Vacía



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Decisão da Justiça contra bases pode arruinar lua-de-mel de Santos com Chávez

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