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O Dalai Lama formalizou nesta segunda-feira (14/03) seu desligamento da liderança política do Tibete. Em carta entregua ao Parlamento tibetano, Dalai Lama afirmou que abandonar as funções políticas no governo em função das condições impostas de  exílio.

“Se devemos seguir no exílio durante outras várias décadas, haverá um momento inevitável no qual não poderei ser mais o líder”, afirmou o Dalai, de 75 anos, que pediu ao Parlamento tibetano o início de uma reforma democrática para oficializar sua dissociação do poder.

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A intenção de ceder o poder político tinha sido anunciada pelo dalai lama no último dia 10, em comunicado emitido por ocasião do 52º aniversário da fracassada insurreição tibetana contra a China, que o levou ao exílio na Índia.

Sua decisão, disse, responde o desejo de “assegurar a continuidade da administração no exílio até resolver o assunto do Tibete”, com a crença que “o governo de uma só pessoa é anacrônico e indesejável”.

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A discussão será analisada no Parlamento tibetano no exílio, situado na cidade nortista indiana de Dharamsala, que debaterá a partir de terça-feira se aceita o pedido do dalai, disse à Agência Efe por telefone o secretário da Câmara, Tenzin Norbu.

O dalai lama liderou o movimento tibetano no exílio desde sua fuga de Lhasa, mas justificou o atraso em oferecer sua retirada pela “falta de experiência e maturidade das instituições democráticas” que foram administradas pelos dirigentes exilados.

“É necessário estabelecer um sistema de Governo adequado enquanto eu tenha capacidade e saúde, para que a administração tibetana seja autossuficiente e não dependa do dalai lama”, pediu aos deputados.

Aprovar seu pedido requereria anular várias promulgações políticas anteriores, e, sobretudo, reformar o instrumento que rege a organização política das instituições tibetanas, a Carta dos Tibetanos no exílio, aprovada em 1991.

Transferência de poder

Com a renúncia de Dalai Lama, o poder será transferido para um representante eleito. Tenzin Gyatso, de 76 anos, é o 14º dalai-lama, que assumiu as funções religiosas em 1950. A

“Para que nosso processo de democratização esteja completo, chegou o momento para eu delegar minha autoridade formal em um líder eleito”, disse Gyatso.

O Dalai Lama lidera um sistema ainda teocrático, que centra em sua figura o poder político e o religioso, embora ele mesmo dissesse que vive em um semi retirada da política e não deve comparecer ao Parlamento nestes dias.

Eleições

As deliberações do Parlamento coincidem com um momento político de incerteza, à espera que os tibetanos no exílio elejam no próximo domingo (20/03) a seu “kalon tripa” ou primeiro-ministro, posto ao que aspiram três candidatos.

Olhando ao verdadeiro Tibete desde a fronteira indiana, os tibetanos no exílio construíram instituições governativas paralelas, embora seu Governo não seja reconhecido formalmente por outros países.

Nas eleições do domingo votarão quase 80 mil exilados, repartidos pela Índia, EUA e diversos países europeus, esclareceu à Agência Efe o chefe da Comissão Eleitoral, Jampal Chosang, que acrescentou que os resultados serão anunciados no dia 27 de abril.

São importantes porque o vencedor poderia assumir as funções políticas que ostentava até agora o dalai embora não há garantias que o Parlamento tome uma decisão nesse sentido, segundo Torbu.

Nos últimos anos, o dalai lama sofreu diversos problemas de saúde, o que lhe obrigou a reduzir sua agenda oficial, embora seguem sendo frequentes suas viagens ao exterior, reuniões com líderes e seminários de filosofia budista.

“A linhagem dos dalais lamas proporcionou liderança política durante quase quatro séculos, por isso que poderia ser difícil para os tibetanos aceitar um sistema político que não esteja liderado pelo dalai lama”, reconheceu nesta segunda-feira o próprio Gyatso, ao pedir que se lhe liberte dessa função.

Dalai Lama formaliza seu pedido de desligamento político

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