Sábado, 16 de maio de 2026
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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta terça-feira (07/06) que a Cúpula dos Povos pela Democracia, realizada de forma paralela à IX Cúpula das Américas, da Organização dos Estados Americanos (OEA), constitui o “verdadeiro evento político transcendental para os povos da América”.

“Vários movimentos políticos e sociais da América Latina e uma ampla participação de diferentes setores nos Estados Unidos se reunirão em Los Angeles, Califórnia, para celebrar a Cúpula dos Povos. Este será o verdadeiro evento político transcendental para nossos povos”, disse o mandatário. A delegação cubana, excluída de encontro “oficial”, irá compor o espaço de forma virtual. 

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O evento paralelo vai promover um painel sobre o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a Cuba, tema que também será discutido pelo chanceler mexicano e representante do país Marcelo Ebrard na Cúpula organizada por Biden. Além disso, vai discutir as intervenções norte-americanas sob o tema: “Democracia para quem?”. A programação completa pode ser acessada aqui.

Sediado na mesma cidade que a Cúpula das Américas, o encontro “dos povos” será realizado entre os dias 8, 9 e 10 de junho, com objetivo “reunir vozes de pessoas às quais os EUA preferiram silenciar e excluir” e debater temas da agenda regional. 

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A organização do encontro explica que se trata de uma tradição que acontece desde 2005, quando a Cúpula das Américas foi realizada em Mar Del Plata, na Argentina, e que conta com a presença de sindicalistas, ativistas, organizações de base e “pessoas progressistas das Américas”.

“Quando um país poderoso impõe o que afirma ser ‘democracia’ a outros países, isso rebaixa a ideia de democracia e esmaga a possibilidade de qualquer democracia real se enraizar”, diz um comunicado no site do evento. 

Na entrada do local da “Cúpula de Exclusão de Biden” há uma placa em solidariedade aos países excluídos, com os escritos “deixe Cuba viver”. 

Na última semana, o governo cubano se pronunciou novamente sobre a exclusão promovida pelos Estados Unidos e considerou que “não existem justificativas” para tal “exclusão antidemocrática” .

Segundo comunicado oficial do Ministério das Relações Exteriores, Washington “abusou de seu privilégio como país anfitrião” ao restringir a participação dos países latino-americanos no evento. “O governo de Joe Biden recusou-se a atender às justas demandas de diversos governos para mudar essa posição discriminatória e inaceitável”, completou a nota.

Evento paralelo à Cúpula das Américas será sediado em Los Angeles nos dias 8, 9 e 10 de junho

Twitter/People’s Summit

Cúpula dos Povos pela Democracia debate temas da agenda regional

Cúpula das Américas nos EUA “nasceu morta”

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou também nesta terça-feira (07/06) que a IX Cúpula das Américas “nasceu morta” devido à decisão do governo Biden em excluir Cuba, Nicarágua e Venezuela do encontro.

Morales também declarou que, em vez de promover a integração, o líder norte-americano “está causando divisão”.

Já o secretário-executivo da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América – Acordo Comercial dos Povos (ALBA-TCP), Sacha Llorenti, afirmou que a Cúpula “fracassou antes de começar”, ressaltando que “protestos” em relação à exclusão provocada pelos Estados Unidos serão “muito presentes” na reunião.

“Ato de discriminação”

Por sua vez, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse na última segunda-feira (06/06) que a posição do país norte-americano é “discriminatória” em mais uma manifestação de repúdio à decisão dos Estados Unidos em excluírem alguns países latino-americanos da Cúpula das Américas.

“O que o governo dos Estados Unidos promove é um ato de discriminação”, declarou Maduro, destacando a necessidade de um novo órgão onde todos os países da América participem sem exclusão.

O presidente venezuelano ainda declarou que “infelizmente” o próprio governo dos Estados Unidos “fez a Cúpula fracassar”, afirmando que a agenda do encontro regional não representa “assuntos de interesse e prioridade” dos países das Américas.

O mandatário ainda elogiou o posicionamento do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, em não comparecer ao evento como “forma de protesto” à exclusão dos países vizinhos.

No início de maio, os Estados Unidos anunciaram que não convidariam os governos de Cuba, Nicarágua e Venezuela para a Cúpula das Américas por serem países que “não respeitam a democracia”.

Além do México, outros países se manifestaram contra a posição excludente do governo norte-americano dos EUA, como Bolívia, Honduras, São Vicente e Granadinas, bem como o Grupo Puebla e a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América-Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP).

Desde o lançamento do encontro regional, em 1994, esta é a primeira vez que os Estados Unidos sediam o evento, que acontece até 10 de junho em Los Angeles. A última Cúpula aconteceu em 2018, no Peru, e não contou com a presença do então presidente norte-americano, Donald Trump. 

As principais questões a serem abordadas durante a IX Cúpula são imigração, tráfico de drogas e segurança, questões refletidas na situação interna de diversas nações que não estarão presentes no evento.

(*) Com Telesur