Sábado, 25 de abril de 2026
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Ao notar semelhanças como grandes populações e o crescimento de suas economias, Brasil, Rússia, Índia e China formaram uma aliança recente que começa a tomar corpo. Organizados no grupo conhecido como Bric (pelas iniciais dos países), os chefes de Estado dessas nações realizarão sua segunda cúpula nesta sexta-feira (16), em Brasília. Pensando em acordos e pactos políticos, os Bric – um grupo não institucionalizado – ainda não se propõem ser um catalizador dos anseios dos países do Sul frente aos países desenvolvidos, mas já promovem diversas iniciativas de cooperação entre eles.

Na visão dos diretores de centros de estudos ligados aos governos dos quatro países, os Bric ainda não têm força suficiente para encabeçar um bloco global que atue conjuntamente para frear o atual modelo de desenvolvimento imposto pelas maiores economias do mundo. Pelo menos não no atual momento histórico.

“Estamos numa encruzilhada para ver se cabe aos Bric assumir a posição de porta-voz desses países em desenvolvimento”, diz Rothin Roy, diretor do IPC-IG (entidade de pesquisa econômica da Índia). Ele cita a atuação do FMI (Fundo Monetário Internacional), que mantém relação direta com vários países do hemisfério Sul, como um tipo de problema em que caberia uma resposta em bloco dos membros do Bric. Para ele, seria necessária uma reforma no órgão.

O vice-presidente da Academia de Chinesa de Ciências Sociais, Li Yang, acredita que é necessário, em um futuro próximo, pensar em uma atuação mais global dos Bric. Ele enfatizou, por exemplo, a importância dos países-membros ampliarem sua atuação nas questões ligadas à mudanças climáticas no mundo. “As decisões são feitas unilateralmente pelas grandes potências”, criticou.

Esses representantes de centros de pesquisas internacionais estiveram presentes na Cúpula Bric de think tanks, que vai até esta quinta-feira (15), em Brasília. O evento foi organizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). É a primeira vez que ele acontece, e a ideia é que se repita periodicamente. Também participou do encontro desta quarta o diretor do Instituto da América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Vladimir Davydov, o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e o embaixador da Índia no Brasil, B. S. Prakash.

Desenvolvimento

Segundo alguns estudos indicam, nos próximos 50 anos, o conjunto de países formado por Brasil, China, Rússia e Índia poderá superar o G-6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) como principal força propulsora da economia global. Entre 2003 e 2007, os países Bric foram responsáveis por 65% da expansão da economia mundial.

“Apesar disso, ainda existe uma insuficiência na participação dos Brics em mecanismos de governança, como a falta da presença da Rússia na Organização Mundial do Comércio e a ausência de Brasil e Índia no Conselho de Segurança da ONU”, lembrou Antônio Patriota.

Além desses desafios, também está colocada para as quatro nações a opção de capitanear a superação do modelo de organização econômica adotado pelos países desenvolvidos, que em boa parte foram responsáveis pela crise recente. E não será fácil, já que, segundo frisou o chinês Li Yang, mesmo com o enfraquecimento dos EUA, “o sistema continua intacto e favorece os países desenvolvidos”.

Cúpula dos Brics em Brasília é chance para articular maior representação dos países pobres, dizem analistas

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