Cuba troca refeitórios estatais por subsídio alimentar
Cuba troca refeitórios estatais por subsídio alimentar
Um dos mais populares benefícios concedidos em Cuba aos trabalhadores vai acabar em outubro, quando o governo promete fechar os refeitórios em alguns centros de trabalho e substituir o serviço por um subsidio alimentar.
O objetivo, segundo o diário oficial Granma, consiste em “abrir as portas à racionalidade e à poupança e livrar o país de uma carga que não pode nem está em condições de suportar”.
A decisão, que tinha sido adiantada há meses pelo presidente Raul Castro, inicia o desmantelamento de uma série de benesses, com as quais a revolução cubana pretendeu criar igualitarismo na população.
Mas com o país em meio a uma crise econômica, que fez os preços dos alimentos comprados no exterior aumentarem, e com a tragédia provocada por dois furacões e uma tempestade tropical no ano passado, o governo voltou atrás num dos principais símbolos da revolução.
“Todos os dias em Cuba, mais de 3,5 milhões de pessoas são servidas nos 24.700 refeitórios de seus centros de trabalho, o qual constitui uma despesa severa para o governo, dados os altíssimos preços [dos alimentos no] mercado internacional e a infinidade de subsídios e serviços gratuitos”, que o Estado presta à população”, assinalou o diário oficial Granma.
E, “para que se tenha uma idéia do que isto significa, é preciso sublinhar que um cubano que compra a cesta básica familiar regulada e, ao mesmo tempo, utiliza os serviços do refeitório de seu trabalho, recebe aproximadamente 64% do consumo diários de calorias que precisa, de forma subsidiada”, sublinhou o jornal.
350 milhões de dólares ao ano
Segundo o Granma, o governo cubano gasta 350 milhões de dólares anuais em subsídios aos refeitórios laborais e mais de 800 milhões na cesta básica familiar. Os 350 milhões, “abrangem apenas o arroz, feijão, carne e azeite”, não incluem outros alimentos, combustíveis, eletricidade e manutenção dos refeitórios, contando aí os salários.
Por isso, a partir de outubro vão acabar os refeitórios nos ministérios do Trabalho e Segurança Social, Finanças e Preços, Comércio Interior, Economia e Planejamento.
Em contrapartida, cada trabalhador receberá uma compensação de 15 pesos cubanos diários (menos de 1 dólar). O preços de uma refeição nesses refeitório raramente ultrapassava os 50 centavos de peso.
O governo esclareceu que o encerramento dos refeitório é uma media provisória para estudar os resultados, e mais tarde será ampliada ao resto do país. A totalidade dos ministérios encontra-se em Havana.
A população cubana tem acesso a três fontes de alimentação. São elas a cesta racionada, que abrange toda a população mas dura menos de duas semanas; o mercado paralelo, onde a venda é livre e os preços são mais altos, incluindo o chamado mercado livre camponês, com todo tipo de produto agrícola; e o mercado em moeda convertível, acessível apenas a uma minoria de cubanos, principalmente de áreas urbanas.
Para muitos trabalhadores cubanos, os refeitórios nos centros de trabalho eram uma forma de se alimentar diariamente em um mercado onde os alimentos são racionados.
“De momento o único que podemos fazer é especular ao respeito. O mais provável de tudo é que o governo desvie esses alimentos para o mercado paralelo, e ao poupar nas despesas de cozinhar, manutenção dos refeitórios e transporte, vai poder colocá-los a mais baixo preço no
mercado”, comentou ao Opera Mundi, o analista da Universidade do Novo México, Nelson P. Valdés.
Estímulo
Em termos práticos, além de representar uma poupança para o governo cubano, a vida da população não deve alterar-se muito. Há duas semanas, comentando a possibilidade de o governo cubano tomar a decisão, Valdés recordou ao Opera Mundi que a existência dos refeitórios laborais era “um estimulo ao trabalhador para ir ao emprego”.
Agora, curiosamente, a situação poderia ser a mesma. “Se o governo te paga 15 pesos cubanos diários para ir ao trabalho, isso não deixa de ser um estimulo”, comentou hoje Valdés.
No fim de contas, um cubano que trabalhe 25 dias por mes, acaba por receber um subsidio de 300 pesos cubanos, o que representa praticamente um salario mensal.
O Granma explicou que os 15 pesos cubanos serão pagos diariamente se o trabalhador não faltar ao emprego, não contarão para efeitos de impostos e não serão entregues, mesmo se o trabalhador estiver em viagem por conta do emprego.
De momento, disseram fontes em Havana ao Opera Mundi, o fim dos refeitórios laborais é o único subsidio cancelado de momento, mas podem vir outros. Apenas três setores ficam de fora de todo cancelamento: educação, saúde e segurança social. Os três que Raul qualificou à meses, de “prioridade absoluta”, do governo cubano.
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