Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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O diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, Horacio González, recebeu
nesta terça-feira (01/03), um pedido da presidente do país, Cristina
Kirchner, para que retirasse seu protesto contra a escolha do escritor
peruano Mario Vargas Llosa para inaugurar a 37ª. Feira do Livro de
Buenos Aires.

Por meio de uma carta destinada a Gustavo Canevaro, presidente da
Fundação El Libro, organizadora da feira, González afirmou que recebeu
uma ligação da chefe de Estado em que a mesma defendia “a substância, a
forma e a pertinência do debate democrático em todos os planos de seu
significado”.

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Clique aqui para ler a carta de Horacio González.

Segundo relata a carta, divulgada pelo chefe de gabinete do governo,
Aníbal Fernández, Cristina pediu que o diretor retirasse seu protesto
enviado anteriormente e afirmou que a discussão quanto ao protagonismo
de Llosa em um dos eventos culturais mais importantes do país “não pode
deixar a mínima dúvida da vocação à liberdade de expressão de ideias
políticas na Feira do Livro, nas circunstâncias que sejam e tal como
suas autoridades definiram”.

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A escolha do último ganhador do Prêmio Nobel de Literatura para
inaugurar a Feira do Livro de Buenos Aires foi motivo de fortes críticas
entre intelectuais argentinos, que anunciaram a elaboração de uma carta
formal em protesto à decisão.

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O diretor da Biblioteca Nacional foi uma das vozes mais contundentes
contra a opção pelo escritor e tomou a dianteira com um e-mail destinado
ao presidente da Câmara Argentina do Livro (CAL), Carlos De Santos, com
o qual pediu que escolha fosse reconsiderada. Segundo ele, muitos
autores argentinos podem representar “um horizonte comum de ideias, sem o
messianismo autoritário” do Llosa “dos círculos mundiais da direita
mais agressiva”.

Em entrevista ao jornal Tiempo Argentino,
González afirmou que “o convite a Vargas Llosa é uma ofensa à cultura
argentina”. Mesmo após ter afirmado apreciar a literatura do peruano, o
diretor afirmou que “existem dois Vargas Llosa: o grande escritor que
todos festejamos e o militante que não pestaneja nem um segundo para
atacar os governos populares da região”.

Segundo a carta que relata a ligação de Cristina a González, o diretor
afirma que as críticas não eram “uma via para limitar a palavra de um
escritor, mas resguardar a Feira do Livro como âmbito de múltiplas
vozes, procurando que a qualidade das mesmas predomine em relação às
inscrições políticas imediatistas”

Entre os intelectuais que aderiram ao processo, está o filósofo e
professor da Universidade de Buenos Aires, Ricardo Foster, que afirmou à
rádio El Mundo que a opção por Llosa é “um problema” que lhe produz uma “sensação de
tristeza”. “É razoável que Llosa venha à Feira”, afirmou, garantindo que
não questiona o Nobel do escritor.

O professor, no entanto, rechaçou que o peruano abrisse a feira
literária: “Não acho que tenha sido a melhor das decisões escolhê-lo
para inaugurar o evento no contexto político do país” porque “é alguém
que vem ofendendo profundamente os que não pensam como ele”, pontuou.

A resistência dos intelectuais simpáticos ao governo Kirchner se deve a recentes declarações do Nobel. Para o jornal italiano Corriere della Sera,
o peruano afirmou: “Cristina é um desastre completo. A Argentina está
conhecendo a pior forma de peronismo, populismo e anarquia. Temo que
seja um país incurável”.

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Cristina Kirchner pede que diretor de Biblioteca Nacional retire protesto contra Vargas Llosa

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