Domingo, 26 de abril de 2026
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As principais bolsas mundiais fecharam em forte queda nesta terça-feira (27/4) refletindo o pessimismo que paira sobre países do sul da Europa. No Brasil, o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 3,43%, com 496.794 operações e um giro financeiro de 8,579 bilhões de reais.

Já em Nova York, o índice Dow Jones Industrial, principal de Wall Street, fechou em queda de 1,9% e o Standard & Poor's 500 caiu 2,34%. A bolsa eletrônica Nasdaq obteve queda de 2,04%.

Segundo o economista Alex Agostini, da Austin Rating, empresa especializada em risco de agências financeiras, os pregões registraram quedas significativas não apenas em decorrência da crise financeira que assombra a Grécia.

“A Grécia é um problema que se arrasta e tem prejudicado os investidores de todo o mundo, mas excepcionalmente hoje outro fator retraiu os investimentos. Nesta terça-feira, duas agências de classificação, entre elas a norte-americana Standard & Poor's, rebaixaram os ratings de Portugal e da Grécia para o primeiro nível do grau de especulação, o que prejudicou todos, principalmente a Europa”, explica Agostini.

Segundo o economista, a principal preocupação agora, além dos reflexos que as quedas terão na Ásia durante esta madrugada, é a contaminação do mercado de risco em outros países, principalmente os pertencentes ao grupo chamado de PIGS (iniciais em inglês de Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha).

“Atualmente, a Europa como um todo se vê diante de uma dificuldade de administrar as contas fiscais. Muitos países estão com um endividamento importante. O déficit público na Espanha, por exemplo, é de 11,2% em 2009, assim como o do Reino Unido. Já a Grécia atingiu os 13,6% e a Irlanda, 14,3%”, diz o economista.

Agostini explica que o aumento blocado do endividamento fiscal europeu, somado ao baixo crescimento da região, criou um rombo muito grande, que deixou a Europa em uma situação financeira bastante crítica.

“A Grécia já se encontra em uma situação financeira alarmante. Portugal parece estar com a ponta dos pés dentro de uma crise, a Itália se endivida cada vez mais e por ai vai. Isso tudo afeta o Brasil diretamente, já que o país tem recebido cada vez mais investimentos europeus”, completou Agostini.

Possível exclusão

Desta forma, o mundo olha com atenção para as atitudes do Banco Central Europeu e com preocupação para a queda das bolsas de valores internacionais. Algumas autoridades, que reforçaram a percepção de risco dos mercados, falam na exclusão de países em situação financeira ruim da zona do euro como possível solução.

“Acredito que Espanha, Itália e Portugal não correm o menor risco de saírem da zona. Porém, acho que, quanto à Grécia, a medida é realmente possível, pouco provável, mas possível. Uma atitude como esta seria um reconhecimento de um antigo erro de avaliação do BCE ao aceitar o país sem antes realizar uma avaliação profunda”, analisa Agostini.

 

Para ele, caso isso acontecesse, o alarme para outros países como maiores dificuldades orçamentárias seria ainda maior.

“Os investidores internacionais ficariam decepcionados com o Banco Central Europeu, mas ao mesmo tempo acho que a crise grega tem servido como orientação para o mercado como um todo se prevenir. Se a Grécia saísse da zona do euro, o alarmismo seria ainda maior e estimularia outros países a tomar medidas para diminuir o endividamento”, completou.

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Crises de Grécia e Portugal derrubam mercados financeiros

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