Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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A crise econômica no México atinge também os profissionais liberais. Segundo uma recente pesquisa feita pela empresa OCCMundial.com, 72% dos entrevistados não tinha renda suficiente para manter o nível de vida e pagar dívidas e gastos. Os dados elaborados sublinham que só 4% dos entrevistados mantém o mesmo nível de vida de 2008 e que 25% do total enfrenta a crise minimizando gastos de viagens, lazer e poupança.

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No entanto, para Heriberta Castaños Lomnitz, investigadora do Instituto de Investigações Econômicas da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México), a pesquisa, feita por uma empresa privada, não traduz corretamente o atual panorama da economia mexicana.

“Seguramente a crise econômica norte-americana se reflete em todas as economias, e com muita força no México, que depende da solidez econômica dos Estados Unidos, mas os dados dos profissionais não são tão espantosos como parecem à primeira vista”, explica.

Segundo Lomnitz, no México segue existindo uma forte economia informal não registrada, que ajuda a manter o nível de vida alto, sobretudo entre a classe média alta. Além disso, adiciona, “na capital, e em cidades como Puebla, Guadalajara, Queretaro ou Monterrey, que vivem de serviços e são pólos de desenvolvimento, as multinacionais norte-americanas não estão fechando as portas, porque o dinheiro ainda circula”.

“Obviamente, aqueles que vivem do petróleo, turismo e remessas dos mexicanos que vivem nos Estados Unidos [que este ano devem cair 11% por causa da crise, segundo o ministério da Fazenda mexicano], se sente de perto a crise, mas pode ser que as percepções dos profissionais não coincidam com a economia real. De qualquer forma, é necessário que se enfrente a crise com otimismo, o que em economia é muito importante”.

Exemplos

“Não me falta otimismo”, afirma Alberto, 30 anos, arquiteto formado pela universidade Iberoamericana e residente na Cidade do México, “o que falta é trabalho”, pontua.

“Apesar de os arquitetos serem os menos afetados, se comparados a outros profissionais liberais, o nível de trabalho baixou muito. E se não subir em poucos meses, não poderei manter meu carro, por exemplo, cujo financiamento ainda estou pagando”, diz.

Ricardo, por sua vez, tomou medidas mais drásticas. “Estudei Relações Internacionais, fiz um mestrado nos Estados Unidos e agora sou gerente de um restaurante chinês em Colonia Roma (bairro da Cidade do México). Preferi investir o que tinha em um restaurante porque não encontrava oportunidades para trabalhar na área que escolhi. Teria me endividado, como meus colegas”, explica.

Já Hiroshi caminha na direção contrária. Designer gráfico, possui uma oficina em La Condesa, capital. “Trabalho diretamente com a Europa. Até agora as coisas não tem ido tão mal e estou até comprando uma casa, mas creio ser uma exceção porque quase todos da minha geração estão se endividando para cobrir seus gastos”.

Governo

Sobre o tema, também não há uma posição unitária dentro do governo mexicano. Enquanto o secretário da Fazenda Agustín Carstens declara que o México está enfrentando o “choque financeiro” mais grave dos últimos 30 anos e que decisões difíceis deverão ser tomadas, como aumentar os impostos, o presidente Felipe Calderón, parece mais otimista e afirma que “o México não é um estado falido, o que é absurdo e equivocado e os problemas estão sendo superados pouco a pouco”.

Crise atinge com força profissionais liberais no México, diz pesquisa

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