Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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O número de jornalistas detidos no mundo registrou um novo recorde em 2022, com 533 profissionais presos, afirma o relatório anual da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado nesta quarta-feira (14/12). O número total de jornalistas assassinados (57) também aumentou, em particular devido à guerra na Ucrânia, depois de registrar números “historicamente baixos” em 2021 (48) e 2020 (50). O relatório afirma que 11 repórteres foram assassinados no México, 20% do total, seis no Haiti e três no Brasil. 

Os crimes, afirma a RSF, “transformaram as Américas na região mais perigosa do mundo para a imprensa, com quase metade (47,4%) dos jornalistas assassinados no mundo em 2022”.

Mais da metade dos profissionais de imprensa detidos no mundo até 1º de dezembro estavam em cinco países: China (110), Mianmar (62), Irã (47), Vietnã (39) e Belarus (31).

O Irã é o único país que não estava nesta “lista sombria” em 2021, destaca a ONG, que publica o relatório anual desde 1995. A República Islâmica prendeu um número “sem precedentes” de jornalistas em 20 anos, desde o início do movimento de protestos em setembro após a morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini.

A jovem de 22 anos morreu depois de ter sido detida pela polícia da moralidade por supostamente ter violado o rígido código de vestimenta para mulheres no Irã, que exige o uso do véu.

Trinta e quatro jornalistas foram detidos e se uniram aos 13 que já estavam presos antes do início dos protestos. “Os regimes ditatoriais e autoritários estão enchendo suas prisões com jornalistas mais rápido do que nunca”, afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da organização de defesa da liberdade de imprensa.

“Este novo recorde no número de jornalistas detidos confirma a necessidade urgente de resistir a estes governos sem escrúpulos e estender nossa solidariedade ativa a todos aqueles que personificam o ideal de liberdade, independência e pluralismo no jornalismo”, acrescentou Deloire.

Número de jornalistas detidos no mundo atingiu novo recorde em 2022, com 533 profissionais presos, afirma relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado nesta quarta-feira (14/12)

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Keith Dannemiller/Knight Foundation

Jornalistas mexicanos protestam violência contra imprensa na Cidade do México, 2010

Mulheres detidas

A RSF também destacou o número recorde de mulheres jornalistas detidas, 78, muito superior às 60 do ano passado. “As jornalistas representam agora mais de 15% dos detidos, contra menos de 7% há cinco anos”, afirma a RSF.

A organização citou os casos das iranianas Nilufar Hamedi e Elahe Mohammadi, duas das 15 jornalistas detidas durante os protestos, que fizeram reportagens sobre a morte de Amini e agora podem ser condenadas à pena capital.

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“É indicativo do desejo das autoridades iranianas de sistematicamente silenciar as mulheres”, afirma a RSF.

A organização concedeu na segunda-feira (12/12) o Prêmio de Coragem a uma delas, Narges Mohammadi, que foi detida várias vezes na última década.

Quase 75% dos jornalistas detidos estão na Ásia e Oriente Médio, informa a RSF, que destaca o aumento da repressão na Rússia após a invasão da Ucrânia.