Sábado, 11 de abril de 2026
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O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, disse hoje (27) que vai reconhecer o resultado da eleição em Honduras. Com o anúncio de Arias, que coordenou a fracassada mediação entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o líder golpista Roberto Micheletti após o golpe de Estado, a Costa Rica passa a ser o quinto país a reconhecer o processo eleitoral, realizado sob uma ditadura. Os outros são Estados Unidos, Colômbia, Panamá e Peru. A maioria do continente americano considera o pleito ilegítimo, inclusive o Brasil.

“Para que vamos castigá-los com um segundo furacão Mitch?”, questionou Arias, referindo-se ao ciclone mais devastador dos últimos 200 anos na região, que deixou 18 mil mortos em 1998. Ele defende a suspensão das sanções contra Honduras, sugerindo que as eleições podem transcorrer de forma limpa.

“No fim, é preciso reinar o bom senso e o bom senso diz que, se tudo transcorrer bem, normalmente, a grande maioria dos países deverão reconhecer as eleições de domingo”, afirmou.

Já o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que a Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que hoje realiza uma reunião de cúpula, não reconhecerá o processo eleitoral. “A decisão da Unasul está tomada: não vamos reconhecer as eleições sob comando de Roberto Micheletti”, disse em Bruxelas, após uma conferência sobre as relações entre a América Latina e a União Europeia. “Agora vamos ver quem é quem, quem crê em democracia e quem não crê”.

Em cima do muro

Apesar de a chanceler mexicana Patrícia Rodas ter repudiado o governo de Micheletti, o país ainda não definiu sua postura. Nessa semana, o governo divulgou um comunicado afirmando que aquele não era o momento para se pronunciar sobre o reconhecimento das eleições hondurenhas. “Ainda temos alguns dias antes das eleições, e por enquanto não nos pronunciaremos”.

Brasil, Argentina, Chile, Venezuela, Bolívia e Nicarágua já afirmaram que não consideram as eleições legítimas e não aceitarão o novo representante.

Para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a decisão de reconhecer como válidas as eleições é uma “coisa asquerosa”. “Olha que farsa. Como podem celebrar eleições democráticas com os militares na rua, em um país sitiado?”, declarou.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, verbalizaram a desaprovação do Planalto não só em relação às eleições, mas também à postura dos EUA.

O governo defende o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa há mais de dois meses. “O golpe de Estado não pode ser legitimado como forma de mudança política. Essa é a nossa visão”, afirmou Amorim na Cúpula de Países Amazônicos, em Manaus.

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OEA

A OEA (Organização dos Estados Americanos) não chegou a um consenso sobre que posição adotar. Representantes dos 24 países da entidade se encontraram no início da semana na sede em Washington. Ao final do encontro, não apresentaram uma posição comum sobre o tema.

“A maioria dos países está espantada e disse que as eleições são inválidas, não têm legitimidade”, disse o embaixador da Nicarágua na OEA, Denis Moncada.

Fontes da OEA disseram em entrevista à BBC Mundo que “é pouco provável” que a organização divulgue um comunicado sobre as eleições em Honduras nos próximos dias, já que há uma divisão entre os Estados membros.

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