Terça-feira, 5 de maio de 2026
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A Corte Penal Internacional (CPI), localizada em Haia, na Holanda, decidiu retomar as investigações contra a Venezuela por supostos crimes de lesa-humanidade. 

A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (27/06) em comunicado publicado pelo tribunal e remonta a um processo que teve início em 2018 para investigar supostas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado durante os protestos opositores de 2014 e 2017.

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“A Corte concluiu que, apesar de a Venezuela estar dando alguns passos na investigação, seus procedimentos criminais domésticos não refletem de maneira suficiente as investigações do procurador [Karim Khan]”, diz o documento.

Ainda na segunda-feira, o governo venezuelano manifestou desacordo com a decisão e disse que a investigação faz parte de uma estratégia dos EUA para “instrumentalizar os mecanismos da justiça penal internacional com fins políticos, vinculados com a estratégia de mudança de regime”.

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Caracas ainda reconheceu delitos cometidos por agentes de segurança, mas disse que eles não configuram crimes de lesa-humanidade e já estão sendo investigados e punidos pelo Judiciário venezuelano.

“Atores políticos nacionais e internacionais quiseram sustentar uma acusação de supostos crimes de lesa-humanidade que nunca ocorreram, a partir da manipulação deliberada de um conjunto reduzido de delitos contra os direitos humanos que foram ou estão sendo investigados e punidos pelas autoridades do Sistema de Justiça da Venezuela”, disse.

O governo venezuelano ainda prometeu recorrer da decisão para “defender a verdade e assegurar seus direitos como nação contra essa ofensiva que abertamente utiliza a institucionalidade da CPI com fins contrários a sua natureza”.

Entenda o caso

O processo contra a Venezuela em Haia teve início em 2018, quando Argentina, Canadá, Chile, Peru e Paraguai apresentaram uma denúncia conjunta ao tribunal pedindo que o país fosse investigado por supostos “crimes contra a humanidade cometidos em território venezuelano desde 12 de fevereiro de 2014”.

Processo em Haia foi aberto em 2018 por países do Grupo de Lima para pressionar governo de Nicolás Maduro

Wikicommons

Governo venezuelano manifestou desacordo com decisão e disse que investigação faz parte de estratégia dos EUA

Os países que encabeçaram o pedido formal de investigação faziam parte do extinto Grupo de Lima, mecanismo político criado pelos países sul-americanos e pelo Canadá para pressionar a Venezuela e derrubar o governo do presidente Nicolás Maduro.

À época, Argentina, Chile, Peru e Paraguai eram governados por presidentes de direita. Quando o peronista Alberto Fernández venceu as eleições argentinas, retirou o país do Grupo de Lima.

O processo teve amplo respaldo da oposição venezuelana, que serviu praticamente como a verdadeira requerente do processo. Segundo os opositores, agentes do Estado teriam cometido crimes contra a humanidade durante as tentativas de conter os protestos violentos realizados por manifestantes da direita nos anos de 2014 e 2017.

Na Venezuela, os protestos ficaram conhecidos como “guarimbas” e foram convocados por partidos e movimentos de direita que pediam a saída de Maduro da presidência. As marchas deixaram centenas de mortos e ficaram marcadas por táticas violentas empregadas pelos manifestantes como ataques a sedes de partidos de esquerda e assassinatos de militantes chavistas.

As investigações em Haia foram abertas oficialmente em 2021, fato que culminou com a assinatura de um memorando de entendimento entre Maduro e o procurador da CPI, Karim Khan. “Respeitamos sua decisão como Estado, apesar de termos lhe manifestado que não compartilhamos da mesma”, disse o presidente venezuelano, à época.

Meses depois, em abril de 2022, Khan notificou o tribunal e pausou as investigações após receber um pedido da Venezuela para que os supostos crimes continuassem sendo apurados pelas autoridades locais. A suspensão durou até novembro do ano passado, quando o procurador pediu à Corte para retomar as investigações.

No último dia 9 de junho, Khan esteve pela terceira vez na Venezuela desde o início do processo e teve reuniões com Maduro, com a vice-presidente, Delcy Rodríguez, e com a presidente do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), Gladys Gutiérrez.