Corte de Haia diz que Uruguai desrespeitou tratado, mas que fábrica de celulose não polui
Corte de Haia diz que Uruguai desrespeitou tratado, mas que fábrica de celulose não polui
Um triunfo moral, mas sem efeitos práticos. Foi dessa forma que a Argentina recebeu o veredicto do Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, que decidiu nesta terça-feira (20/4) que o Uruguai quebrou o tratado sobre o uso do rio Uruguai ao não informar e não negociar com Buenos Aires sobre a construção de duas fábricas de celulose, mas descartou a desativação da única unidade construída.
Além disso, a Corte determinou que a Argentina não deverá receber compensação financeira no caso.
Representantes das delegações de Argentina e Uruguai se disseram “satisfeitos” com a sentença.
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Os argentinos dizem que a instalação das usinas provocou intensa poluição na região, mas os uruguaios negam, informando que a tecnologia adotada evita este tipo de acontecimento. O Tribunal determinou que não há motivos para “ordenar o fechamento da fábrica de pasta de celulose”, pois ao contrário da alegação argentina, a fábrica não polui o meio ambiente, conforme noticiou a Ansa.
O ex-chanceler uruguaio Pedro Vaz considerou que “a primeira sensação” de seu país sobre o parecer foi de “grande satisfação” e reiterou “o compromisso” em cumprir o veredicto divulgado hoje. Vaz também indicou que, a partir de agora, “o momento é de adaptar as decisões em nível governamental o mais rápido possível”.
A diplomata argentina Susana Ruiz Cerruti, por sua vez, também se disse “satisfeita” com a sentença, segundo a qual Montevidéu não cumpriu o Tratado do Rio Uruguai, assinado em 1975. “A Corte criticou a conduta do Uruguai e disse” que esse país “cometeu três violações ao estatuto porque não informou a Argentina” sobre a fábrica, analisou Ruiz Cerruti, que espera que, a partir de agora, “não haverá novos projetos unilaterais”.
Apesar de reconhecer a violação do Uruguai ao acordo internacional de 1975, a Corte não exigiu o fechamento da fábrica inaugurada em 2007, pois ela não é contamina o Rio Uruguai como alegava a Argentina.
A disputa relacionada à fábrica da empresa finlandesa UPM, ex-Botnia, gerou uma das maiores crises diplomáticas entre as nações vizinhas. Os presidentes Cristina Kirchner e José Mujica anunciaram que em breve se reunirão para analisar a sentença, mas há dias demonstram estar dispostos a superar o momento. O Uruguai exige que o bloqueio da ponte internacional sobre o rio, na altura da cidade argentina de Gualeguaychú, seja levantado. O local permanece fechado há mais de três anos por ecologistas que acusam Montevidéu de poluir o rio e o governo argentino nada fez para retirar os manifestantes de lá.
Protesto
Habitantes de Gualeguaychú rechaçaram a sentença em Haia. Em declarações a emissoras locais, os argentinos advertiram que cruzarão a ponte até a fábrica.
“Agora vão conhecer Gualeguaychú”, “Ficaremos até a morte”, “À Corte interessa o dinheiro” e “Uruguai violador” foram algumas das expressões ditas por moradores da cidade em entrevistas à imprensa.
*Atualizada às 14h41
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