Copenhague termina com acordo político, mas sem metas obrigatórias
Copenhague termina com acordo político, mas sem metas obrigatórias
Após duas semanas de negociações na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (CoP-15), em Copenhague, nenhum acordo com metas estipuladas numericamente, de cumprimento obrigatório, foi assinado. Tudo que se conseguiu foi um compromisso político, chamado de Acordo de Copenhague. A reunião terminou nesta sexta-feira (18), após um longo debate entre os líderes dos países.
Parte do texto havia sido elaborado ontem pelos chefes de Estado e de governo de 30 países industrializados, emergentes e em desenvolvimento. Alguns detalhes vazaram após uma reunião entre representantes de Brasil, Índia, China e África do Sul, à qual o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se juntou depois.
O acordo foi fechado por estes países, sem referência a um prazo para ser transformado num tratado com valor legal. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que esta mudança de status precisa acontecer em 2010. A Alemanha se ofereceu para sediar um encontro no meio do ano, antes da CoP 16, marcada para o final de 2010, no México.
Os 193 países “tomaram nota” do documento, mas não o aprovaram, o que necessitaria do apoio unânime dos participantes. Ainda não está claro se o documento pode ser considerado um acordo formal da ONU, segundo avaliação feita pela BBC Brasil.
Kay Nietfeld/EFE

O presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, no último dia da conferência
“Países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram em listar suas ações e compromissos nacionais, um mecanismo financeiro, para estabelecer uma meta de mitigação de dois graus celsius e fornecer informação sobre a implantação de suas medidas por meio de comunicações nacionais, subsidiando análises e consultas internacionais sob parâmetros claramente definidos”, explicou um funcionário do governo dos EUA à imprensa norte-americana, que classificou o acordo como “significativo”.
A maioria dos pontos segue o estabelecido na minuta que já havia circulado nos últimos dias.
“Não é o suficiente para combater a ameaça da mudança climática, mas é um primeiro passo importante”, disse a fonte, citada pelo jornal The New York Times.
Após os debates, países como Brasil, Cuba, Venezuela, Bolívia e Sudão, críticos em relação ao acordo, concordaram em adotá-lo como meio de fazer a negociação avançar, mas não pouparam críticas.
Venezuela e
Bolívia se queixaram de receber um texto feito por outros países
e questionaram sua legitimidade. Pelo Brasil, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considerou o resultado das
negociações insuficiente para salvar o
planeta. Países que correm o risco de desaparecer com a subida do nível dos oceanos, como Tuvalu, na Polinésia, afirmaram que o documento não garante a manutenção do Protocolo de
Quioto e não detalha suas propostas, como, por exemplo, a que prega a
implantação de programas de Redd (conservação de florestas).
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Saída de líderes
Por volta das 21h (18h em Brasília), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama deixaram as negociações e embarcaram de volta para seus países. Horas antes, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown e o presidente russo Dmitri Medvedev também deixaram a CoP-15.
O primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, deve viajar de volta ainda esta noite, segundo sua assessora de imprensa, ouvida pela Efe. O premier chinês Wen Jiabao deixou a reunião pela manhã e não confirmou se voltará ao centro de convenções Bella Center, onde acontecem as reuniões.
Medidas
Um dos maiores obstáculos continua em aberto nos documentos: as metas globais até 2020 para países desenvolvidos. Nas discussões, estimava-se que os países desenvolvidos se comprometeriam com 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar os países pobres nos processos de adaptação à mudança climática.
O último esboço, divulgado no fim da tarde, trouxe pela primeira vez uma menção a um limite do aumento médio da temperatura global a 1,5ºC a partir de 2016. O rascunho também introduz uma meta de médio prazo, para 2050, de redução de 50% das emissões globais. Como ponto de partida, o documento citava anteriormente a recomendação do IPCC (sigla em inglês para a Comissão Intergovernamental para Mudança Climática, da ONU) de limitar o aumento de temperatura a dois graus celsius.
O documento do IPCC, resultado do trabalho de 2.500 cientistas de 130 países que analisaram pesquisas sobre clima, foi lançado em 2007. O relatório trouxe a estimava de que a temperatura média global vai aumentar até quatro graus centígrados, em média, ainda neste século.
Texto atualizado às 14h de sábado (19).
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