Quarta-feira, 29 de abril de 2026
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Nada mais melancólico e, ao mesmo tempo, risível, que o frango
tomado pelo goleiro inglês Green no jogo contra os Estados Unidos. Mas
também nada mais emblemático de uma partida de um esporte que pouco diz
respeito ao que se deve entender por futebol.

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O jogo, claro que
com exceções, se arrastou por meio de longos lançamentos que não
levavam a nada, a não ser levar a bola para o outro lado do campo. Se o
frango de Green não estivesse se apresentado para sintetizar a partida,
minutos o goleiro que estava do outro lado do campo, Howard, teria
cumprido a função de realizar uma jogada simbólica: tentou por a bola
do outro lado do campo, e seu chute sem muito destino quase surpreendeu
a Inglaterra.

Se tivesse entrado, seria a consagração do chutão. O chutão como melhor defesa e como melhor ataque, tudo junto.

De um lado, tínhamos os supostos inventores do
futebol, os ingleses. Do outro, o time do país que parece se recusar a
entendê-lo. Pai e filho num conflito permanente, que se expressou numa jabulani que pouco parava no chão, sem destino.

De um lado, aqueles que impuseram ao
mundo as regras do esporte que o mundo aceitou e, felizmente, expandiu,
com dribles, tabelas, invenção.

Do outro lado, aqueles que
preferiram dar para o nome de futebol para um rúgbi reinventado, cheio
de aparelhos que permitem trombar e atropelar com ainda mais violência e força.

Dois
impérios, um em decadência reconhecida, outro lutando com todas as suas
armas contra um mundo que ainda aceita sua força, mas não sua legitimidade.

Se
o futebol pode explicar o mundo, foi um um a um arrancado pela força.
No dia dos namorados, um um a um que merecia, se muito, ser um zero a
zero.

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Copa 2010: Inglatera e EUA, o 1 a 1 que ficou no 0 a 0

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