Contrabandistas vendem gasolina venezuelana por preço 20 vezes maior na Colômbia
Contrabandistas vendem gasolina venezuelana por preço 20 vezes maior na Colômbia
Depois que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou o “congelamento” das relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia, alguns poucos se beneficiaram com a medida: os contrabandistas de gasolina que atuam nesta área.
Trata-se de um negócio lucrativo. Um exemplo é “Carlos”, motorista de táxi em San Antonio, no lado venezuelano da fronteira. Todo dia ele cruza a ponte Simon Bolívar, passa sem problemas pelos guardas e, 50 metros depois da alfândega colombiana, pega uma estrada de terra e entra num terreno poeirento com barracões de madeira precários que protegem do sol centenas de recipientes de plástico.
Em poucos minutos, os 13 galões de gasolina que ele comprou por 1,90 dólares na Venezuela são descarregados e “Carlos” recebe 40 dólares – 21 vezes mais por meia hora de trabalho.
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A Venezuela tem uma das gasolinas mais baratas do mundo – apenas 0,12 dólares o galão para o combustível de 91 octanas (a escala de octanagem determina a resistência à explosão; leia mais aqui). Já a gasolina colombiana custa cerca de 4,15 dólares. Por isso, os contrabandistas podem lucrar muito.
Para reduzir a demanda e, teoricamente, a necessidade de contrabando, o governo venezuelano começou a vender 11 milhões de barris de gasolina para o departamento Norte de Santander no ano passado.
Mas a venda foi interrompida na semana passada, depois que as relações entre os dois países se deterioraram novamente, e são os contrabandistas que preenchem o vácuo e obtêm lucros ainda maiores.
“Pimpineros”
“O contrabando existe e, obviamente, dispara quando há maior demanda”, disse Francisco Arias Muñoz, da Fecolcoop, cooperativa que representa os pimpineros, ou comerciantes de gasolina, na Colômbia.
Reportagem do canal Noticias Uno, da Colômbia, mostra protesto de pimpineros em 17 de agosto:
Até 8 mil pessoas vivem de gasolina contrabandeada na Colômbia. Conhecidos como pimpineros por causa dos recipientes que usam para guardar o combustível, eles podem ser vistos vendendo abertamente o combustível contrabandeado nas cidades ao longo da fronteira.
O governo colombiano não os processa, mas Arias disse que os pimpineros gostariam de ser legalizados.
“Fazemos reivindicações ao presidente [Álvaro] Uribe, pois não acreditamos que a importação da gasolina será retomada no Norte de Santander”, afirmou ele. “Nossa recomendação é que o combustível que trazemos de contrabando seja legalizado no Norte de Santander e paguemos uma taxa ao departamento e aos municípios.”
A Venezuela, que subsidia a gasolina doméstica a um custo estimado em 8 bilhões de dólares por ano, é quem mais tem a perder. No entanto, se o embargo comercial continuar, não será apenas a gasolina que cruzará a fronteira como contrabando, disse Jose Rozo, presidente da Câmara de Comércio da Venezuela no estado de Tachira.
“Agora não teremos só o problema do contrabando de combustível. Com a restrição à importação, certamente os bens vetados entrarão no país ilegalmente”, afirmou.
* Enviado especial
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