Conselho de Segurança da ONU aprova zona de exclusão aérea na Líbia
Conselho de Segurança da ONU aprova zona de exclusão aérea na Líbia
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou
nesta quinta-feira (17/03), em Nova York, a adoção da zona de exclusão
aérea na Líbia. A
resolução foi apresentada por França, Reino Unido e Líbano.
A medida também endurece o embargo de armas à Líbia e reforça as sanções
impostas no mês passado a Kadafi e seu círculo mais próximo de
colaboradores.
Dez países votaram a favor da medida e nenhum contra. Cinco
países optaram pela abstenção: Brasil, Rússia, Índia, China e Alemanha.
Russos
e chineses, que têm poder de veto, relutaram durante os últimos dias em
apoiar a decisão. O Conselho é composto por quinze membros.
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A
zona de exclusão autoriza que forças aéreas estrangeiras ataquem aviões
das tropas do governo líbio que decolarem para atacar as tropas
rebeldes.
Na
resolução, consta um trecho que cogita a possibilidade de se utilizar
“todas as medidas necessárias” para proteger os civis – o que inclui
ataques aéreos. Ao mesmo tempo, o texto aprovado exclui a presença de
“qualquer força
de ocupação estrangeira, de qualquer tipo, em qualquer parte do
território líbio”.
Na Líbia
Também nesta quinta, o governo líbio divulgou na TV estatal um
comunicado no qual promete atacar Benghazi no sábado (19/03).
“Limparemos Benghazi, toda Benghazi, dos criminosos e de qualquer um
que tente ferir nosso líder e nossa revolução”, disse olíder Muamar Kadafi.
Durante o discurso, Kadafi chegou a comparar sua possível entrada em Benghazi com a de Francisco Franco em Madri na guerra civil espanhola. “Vós sois a quinta coluna na cidade”, disse, dirigindo-se aos habitantes do reduto rebelde no leste da Líbia, aos quais considerou como seus hipotéticos partidários. O coronel reiterou que conta com o apoio da população civil da cidade nos próximos dias e que, juntos, “libertarão” Benghazi “dos traidores e dos cachorros”.
A quinta coluna era a denominação que os generais do bando franquista usavam para se referir às pessoas que, no interior de Madri, trabalhavam clandestinamente para ajudá-los a tomar a capital espanhola.
Mais tarde, em comunicado distribuído pela agência de notícias líbia Jana,
o regime afirmou que reagirá em caso de intervenção internacional.
“Qualquer ação militar externa contra a Líbia deixará todo o tráfego
aéreo e marítimo no mar Mediterrâneo exposto e [instalações] civis e
militares se tornarão alvos do contra-ataque da Líbia”.
O governo ofereceu anistia aos que se renderem, mas que “não haverá piedade” com os rebeldes que resistirem.
Milhares
de pessoas concentradas na praça principal de Benghazi comemoraram a
adoção pelo Conselho de Segurança da ONU da resolução.
Os manifestantes, que acompanharam ao vivo na praça a transmissão feita pela rede de televisão , soltaram fogos de artifício e agitaram as bandeiras pretas, verdes e vermelhas que simbolizam o movimento rebelde.
A favor
“A
resolução de hoje leva em conta a causa do povo da Líbia e pretende
acabar com os crimes atrozes contra o povo cometidos pelas autoridades
líbias”, disse após a votação o embaixador do Líbano, Nawaf Salam, país
que junto com França, Reino Unido e EUA impulsionaram a resolução
adotada.
O
representante do único país árabe no Conselho afirmou que as
autoridades líbias “perderam toda sua legitimidade”, e ressaltou que as
medidas autorizadas não incluem a ocupação do país por parte de tropas
estrangeiras.
Por sua
vez, o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, que
viajou hoje a Nova York para assistir à votação, disse que Kadafi tenta
“achatar” a vontade de seu povo de viver em democracia. “Não
podemos abandonar a população civil e as vítimas da repressão brutal,
não podemos permitir que seja derrubada a legalidade e a moralidade
internacional”, disse o chefe da diplomacia francesa. Juppé garantiu que a França está disposta a atuar com rapidez junto com seus “aliados e os países árabes”.
Pela abstenção
A
Alemanha, por sua vez, declarou que apoia “completamente” o pacote de
sanções econômicas e financeiras incluso na resolução, mas reconheceu
que “as decisões que implicam no uso da força militar são sempre
difíceis de tomar”.
“Vemos
grandes riscos e não deveria ser desprezado o risco de perda de muitas
vidas. Vemos o perigo de estarmos envolvidos em um conflito militar que
poderá afetar uma região mais ampla”, disse o embaixador germânico
perante a ONU, Peter Wittig.
Ofensivas
Mais cedo, as forças de segurança pró-governo afirmaram que estão totalmente sob o comando da cidade de Misatra, a 200 quilômetros de Trípoli. Por meio da TV estatal Líbia, Kadafi afirmou que as Forças Armadas tomaram o controle da região.
Os rebeldes no entanto negam a informação. “Isso não é verdade. Estão mentindo. Misrata está calma e não há nenhum som de bombardeios”, disse um residente da região à Reuters.
Em Ajdabiya, as tropas ainda lutam para tomar o controle da cidade, última antes de chegar a Benghazi. Segundo a rede de televisão Al Arabiya, pelo menos 30 civis foram mortos nos confrontos, nenhum deles pertencentes às forças rebeldes.
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