Congresso do Fatah explicitou diferenças com o Hamas
Congresso do Fatah explicitou diferenças com o Hamas
A divulgação dos resultados oficiais da eleição dos membros do Comitê Central do Fatah, durante o 6º Congresso do grupo nacionalista palestino – encerrado nesta quinta-feira (13) –, deixou os delegados da Faixa de Gaza perplexos. Nenhum deles foi eleito, e a primeira reação foi uma demissão coletiva do “alto comitê do Fatah” do território.
Os candidatos derrotados viram no gesto um “protesto coletivo contra a fraude”.
“Há pessoas que controlam o Fatah, que sequestraram sua vontade”, disse Ahmed Nasser, membro do comitê do Fatah em Gaza. O presidente do comitê foi menos taxativo: “depois da eleição, é normal colocar nossos cargos à disposição da nova direção”.
A votação para renovar os órgãos de decisão do Fatah – os 18 membros do Comitê Central e os 80 do Conselho Revolucionário – ocorreu no sábado (8), sem a presença dos delegados do partido na Faixa de Gaza.
O Fatah e o Hamas têm uma longa história de rivalidade e conflitos. O último episódio foi a expulsão do Fatah pelo Hamas da Faixa de Gaza, após o grupo fundado pelo xeque Ahmed Yassin ganhar as eleições de 2006, uma derrota bastante sentida pelo Fatah.
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De fato, o problema da representação de Gaza atrapalhou os trabalhos do congresso. Como o Hamas não permitiu a saída de 450 dos 600 delegados da Faixa, só sobraram 150.
O “grupo de Gaza”, que hoje fala de “fraude”, queria garantir sua representação por meio de uma cota, e pedia a organização do pleito em Gaza no prazo de duas semanas. Os delegados de Gaza acabaram votando pelo telefone, sem representação física. Alguns – 13 ou 14 – não tiveram a oportunidade de votar. Parece pouco, mas apenas dez votos separaram os três últimos eleitos dos três primeiros derrotados no comitê.
“No telefone, eles perderam o poder de barganha eleitoral”, explicou ao Opera Mundi Hassan Balawi, autor do livro Nos Bastidores do Movimento Nacional Palestino, que compareceu ao congresso. Os delegados de Gaza poderiam ter garantido até duas cadeiras se tivessem ido a Belém, mas o resultado final foi implacável: Mohammed Dahlan – antigo “homem forte” na Faixa de Gaza e “ovelha negra” do Hamas – ganhou um assento com os votos da Cisjordânia.
O presidente reeleito, Mahmoud Abbas, que agora nomeará três ou quatro nomes, vai tentar compensar a perda. “O melhor agora seria uma mulher de Gaza”, deduziu. Ele fazia referência à derrota das sete mulheres candidatas pelo Comitê Central.
Relações Fatah e Hamas
O líder do Hamas no exterior, Khaled Mashal, comentou que “a resistência, no papel, não tem nenhum significado”, referindo-se ao programa do Fatah que reafirma o uso de “todos os meios, incluído a resistência”.
Os chefes do Hamas em Gaza afirmaram que “a nova direção deve tirar lições do passado”. Alguns dos novos eleitos, especialmente os anteriores ou atuais responsáveis pela segurança, têm diferenças com o Hamas. Mas o tom geral do congresso, hostil ao grupo, não chegou a recomendações políticas. No programa, pode-se ler, por exemplo, “a contradição principal é com o ocupante [Israel], todas as outras – inserido o Hamas – são secundárias e devem ser resolvidas por meio do diálogo”.
Em entrevista ao Opera Mundi, Hussam Kanafani, jornalista libanês e especialista no conflito entre Hamas e Fatah, optou pela cautela. “O congresso nem facilitou nem complicou o diálogo futuro com o Hamas. O Fatah foi colocado em modo de espera. Esse foi um pedido explícito de [Barack] Obama a Abbas: arrume primeiro suas fileiras, antes de reabrir o diálogo com o Hamas”.
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