Conflitos deixam ao menos 32 mortos na fronteira entre Camarões e Nigéria
Conflitos deixam ao menos 32 mortos na fronteira entre Camarões e Nigéria
Pelo menos 32 pessoas morreram desde semana passada em confrontos tribais na região de fronteira entre Camarões e Nigéria, informou neste domingo (16/01) a Rádio Nacional camaronesa.
Os protagonistas dos choques armados são membros das tribos essimbi e bawuru, ambas pertencentes à etnia mesaka, originais dos dois países, indica a emissora. Os enfrentamentos começaram no último dia 8, depois do assassinato de um pescador nigeriano que tinha passado o Natal em território camaronês.
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No último dia 8, quatro camaroneses foram sequestrados por homens desconhecidos, supostamente nigerianos, aparentemente em represália pela morte do pescador, assinala a rádio, que cita fontes do Ministério da Defesa de Camarões.
Após ter solicitado sem sucesso às autoridades camaronesas que prendessem o autor do crime, grupos tribais nigerianos preferiram fazer justiça com as próprias mãos. Em 11 de janeiro, eles atacaram as aldeias do noroeste de Camarões e mataram 20 pessoas.
Os confrontos na área, que corresponde ao distrito de Menchum, foram retomados neste sábado à noite e continuaram até a madrugada deste domingo, deixando outros 12 mortos, segundo as fontes oficiais.
As autoridades de Yaoundé enviaram ao local dos choques uma centena de soldados do Exército camaronês. Apesar da presença militar, grupos das duas tribos mantêm os ataques mútuos.
O ministro da Defesa camaronês, Edgar Alain Mebe Ngo'o, se deslocou neste domingo à região para tomar conhecimento de primeira mão sobre as circunstâncias dos últimos enfrentamentos entre os essimbi e bawuru, que mantêm rivalidades ancestrais pela posse das terras e o uso de água tanto em Camarões como na Nigéria.
Toda a área de fronteira comum é objeto de disputas territoriais há muito tempo entre os dois países, especialmente a península de Bakassi, rica em petróleo e minerais, que foi entregue pela Nigéria a Camarões em 2006, em cumprimento a uma sentença da Corte Internacional de Justiça (CIJ), de Haia.
Em 1980, os dois países estiveram à beira da guerra pela disputa da região.
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