Conferência de Cochabamba termina com pedido por referendo climático mundial e críticas aos EUA e à ONU
Conferência de Cochabamba termina com pedido por referendo climático mundial e críticas aos EUA e à ONU
Martin Alipaz/Efe (22/04/2010)

A Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática (CMPMC) encerrou com uma advertência à ONU (Organização das Nações Unidas), críticas aos Estados Unidos e a exigência aos países industrializados de que reduzam para a metade suas emissões de gases do efeito estufa até o ano de 2020.
Primeiro a falar, o presidente boliviano Evo Morales fez uma avaliação da conferência e sublinhou que os grupos de trabalho definiram três linhas para a atuação pós-CMPMC: as conclusões finais da reunião devem ser discutidas nos eventos preparatórios para a CoP-16, a ser realizada em Cancún (México), em dezembro; a instauração de um Tribunal Internacional de Justiça Climática; e que haja um referendo climático global.
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Esteban Lazo, vice-presidente de Cuba, disse que “é hora de combater as causas e não apenas as consequências do aquecimento global”. Segundo ele, “as empresas são as maiores responsáveis pelas mudanças climáticas” e os países desenvolvidos devem disponibilizar recursos para enfrentar esse problema: “os EUA destinaram dois trilhões de dólares para salvar os bancos e não querem pagar a conta para combater o aquecimento global”.
Martin Alipaz/Efe (22/04/2010)

Da esquerda para a direita, o vice-presidente de Cuba, Esteban Lazo (Cuba), o vice boliviano, Álvaro Linera, Evo Morales, Hugo Chávez e o dirigente sandinista Tomás Borge
Lazo criticou a postura norte-americana em relação às negociações do clima: “Antes de tentar impor o Acordo de Copenhague aos outros países, os EUA deveriam cumprir as determinações do Protocolo de Quioto”.
Oferta equatoriana
A fala de Lazo sobre o Protocolo foi o gancho para a intervenção de Ricardo Patiño, chanceler equatoriano. Patiño revelou que os EUA cortaram 2,5 milhões de dólares em fundos de cooperação com o Equador porque o país andino se recusou a ratificar o Acordo de Copenhague.
O chanceler classificou a atitude como “chantagem” e contou que, em resposta, o presidente Rafael Correa ofereceu o mesmo valor aos EUA, caso os norte-americanos se propusessem a ratificar o protocolo de Quioto.
Correa propôs a criação de um imposto sobre as exportações de petróleo na OPEP (Organizaçao dos Países Exportadores de Petróleo) e busca fundos internacionais para deixar intocadas cerca de 20% das reservas petrolíferas equatorianas, disse o chanceler.
De acordo com Patiño, a “o aquecimento global tem dois pontos críticos: poderá ameaçar a democracia e causará fome no mundo”. Também segundo o chanceler equatoriano, “está se desenhando uma nova geopolítica: uma oposição entre os países emissores e países afetados pelos efeitos das mudanças do clima”.
Patiño reafirmou a necessidade de se estabelecer um Tribunal Internacional de Justiça Climática e considera a Conferência de Cochabamba “uma resposta ao fracasso da última CoP”.
Mídia x Conscientização
Hugo Chávez, presidente da Venezuela, foi o último dos representantes de Estado a falar durante a coletiva. Para Chávez a questão climática também se converterá numa “guerra midiática”. “Resolver os problemas ambientais depende de informação e de conscientização. E aos grandes conglomerados midáticos não interessa esclarecer a população”, disse ele.
Chávez contou que “ele e Evo Morales não puderam falar durante a última sessão da CoP-15 e mostrar seu descontentamento com o acordo ratificado na capital dinamarquesa. “Como não pudemos falar em Copenhague, teremos que levantar a voz em Cancún e fazer conhecidas as demandas da sociedade civil e dos movimentos sociais”, disse o presidente venezuelano.
Segundo as denúncias de Chávez, os EUA estão aplicando uma “diplomacia seletiva” com negociações a portas fechadas para conseguir adesões ao acordo de Copenhague, que não estabelece metas de redução de gases poluentes, ao contrário do Protocolo de Quioto.
O acordo assinado em 1997 no Japão estabelece que os países industrializados devem reduzir em 5% as emissões de gases do efeito estufa entre 2008 e 2012, com relação aos níveis de 1990. No entanto, este aspecto não está sendo cumprido.
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