Terça-feira, 7 de abril de 2026
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Pela 18ª vez consecutiva, a Assembléia Geral da ONU adotou hoje (28) uma resolução que condena por maioria esmagadora o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, publicou a imprensa cubana e norte-americana.

No total, 187 países votaram a favor do texto, três se manifestaram contra (EUA, Israel e Palau) e dois se abstiveram (Ilhas Marshall e Micronésia). O número de votos favoráveis foi dois países maior que no placar do ano anterior.

Embora já seja recorrente, a condenação de hoje é a primeira ocorrida sob o mandato de Barack Obama, que na campanha à presidência em 2008 sinalizara intenções de mudar substancialmente as relações dos EUA com a ilha caribenha.

A condenação do embargo no principal órgão da ONU já se tornou praxe na diplomacia internacional. Mesmo antes da votação, o próprio tema definido para a 27a sessão plenária da LXIV Assembleia Geral das Nações Unidas era intitulado “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.

No entanto, para o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, que discursou na Assembleia Geral, o apoio dos países à resolução é “um ato contra a agressão e o uso da força”, e seu resultado pragmático é demonstrar que o fim do bloqueio seria benéfico tanto para a ilha quanto para empresas norte-americanas que, em época de crise, teriam acesso a um mercado tão próximo e com consumidores qualificados quanto o cubano.

Imprensa

As reações na imprensa dos dois países variaram do júbilo à indiferença. Em Cuba, o jornal Juventud Rebelde noticiou a decisão das Nações Unidas como “um pronunciamento contundente” e uma “exigência da comunidade internacional”.

De acordo com a agência de notícias estatal cubana Prensa Latina, o
placar coloca os EUA numa posição de “isolamento quase absoluto” e que,
apesar das promessas, o embargo se manteve “intacto” com Obama na
presidência.

Do lado norte-americano, o jornal Miami Herald, publicado na cidade que concentra a maior colônia de emigrantes cubanos, não publicou nem uma linha a respeito. Já sua versão em espanhol, El Nuevo Herald, publicou a notícia aberta a comentários dos leitores – a maior parte deles, contrários à resolução, mas também ao embargo. Assinando como 'esteban76', um internauta afirmou que a responsabilidade de acabar com o bloqueio é dos próprios cubanos, se mudarem o governo, e acusou o regime cubano de “comprar votos na ONU para obter resultados vazios”. “Não ocorreu a ninguém da ONU denunciar o regime de Havana pelos abusos e a intolerância aos direitos”, comentou, por sua vez, o usuário identificado somente como 'babalaoo'.

As reações na internet iam na outra ponta do espectro no fórum virtual Cuba Debate, que comemorou o placar com comentários como o de Raúl González. “O bloqueio é uma medida de força contra um país que não significa nada a 'segurança nacional' dos EUA”, escreveu. Já o usuário José Ginarte criticou Obama por ter mantido o embargo apesar de alegar defender a paz: “Isto deveria provocar vergonha no Prêmio Nobel da Paz”. “É hora de o governo dos EUA entender que ninguém detém o caminhar de gigante desta pequena ilha”, ufanou-se Norberto Escalona.

Fantoche

Além de EUA e Israel, o curioso terceiro voto contra a resolução foi o da República de Palau, uma ilha de 459km2 e 20 mil habitantes no oeste do Oceano Pacífico. Segundo artigo do jornal oficial cubano Granma, o país é representado no plenário da ONU por um advogado com cidadania israelense que vive em Nova York.

O Granma afirma que Palau recebe dos EUA um subsídio anual de 27 milhões de dólares, cerca de 17% do PIB de 164 milhões de dólares.

De acordo com o texto, o salário do embaixador palauano na ONU, Stuart Beck, é de apenas um dólar por ano, e foi proposto pelo próprio advogado que, mesmo morando em Long Island (Nova York), acumula o cargo de embaixador de Palau em Israel. Beck é casado com uma cidadã palauana e pai de quatro filhos.

O jornal também afirma que Beck é amigo de John Bolton, ex-embaixador dos EUA na organização e político conservador que teve atuação destacada na remoção do diplomata brasileiro José Maurício Bustani da presidência da OPCW (sigla em inglês para Organização para a Proibição de Armas Químicas), em 2002.

Condenação da ONU a bloqueio cobra de Obama mudança de fato em relação a Cuba

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