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A comemoração de um gol com um apaixonado beijo entre duas jogadoras do mesmo time culminou na expulsão da equipe de um campeonato local no Equador.

O clube feminino de Guipúzcoa, uma equipe que se declarou abertamente lésbica, foi expulso da Liga La Floresta, depois que duas jogadoras se beijaram após marcar um gol, numa partida em 2009.

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As atletas denunciaram o caso na Justiça equatoriana, que decidiu a seu favor, mas elas temem pôr em risco sua integridade se voltarem a jogar na competição.

“O juiz se pronunciou a favor da equipe Guipúzcoa, mas, na parte resolutiva, não mencionou nada da reparação de direitos nem sobre proteção. Entendemos que com essas condições ainda não podemos jogar”, disse Karen Barba, a presidente do clube, em entrevista à Agência Efe.

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Ela ressaltou que, a seu critério, existe atualmente toda uma campanha de “ódio e repúdio” contra elas por parte dos diretores da Liga, que recorreram da sentença.

O advogado do torneio, Félix Zambrano, argumenta que a decisão do juiz é “errônea” porque parte da base que as jogadoras foram punidas por sua orientação sexual, enquanto, segundo ele, elas o foram pelo comportamento que atenta “contra a moral e os bons costumes”, ao contrário dos princípios da Liga.

“Não é somente um beijo ou um abraço de afeto. O inconveniente é quando as moças acariciam as partes íntimas diante de crianças, jovens e adultos. São atos contrários à moral e aos bons costumes da Liga La Floresta”, reage Zambrano.

Por sua vez, as jogadoras do Guipúzcoa consideram que seus direitos foram violados sistematicamente pelos diretores da competição e, por isso, saíram às ruas de Quito para exigir retratações e manifestar sua condição sexual.

Ao ritmo de assobio e tambores, com as caras pintadas como se fossem guerreiras, elas parodiaram o “futebol competitivo e agressivo dos homens”, explica a criadora da coreografia, Cayetana Salau, para quem este ato também serve para expressar o “futebol afetuoso, lésbico e feminino”.

Karen Barba enfatiza que o caso da Liga La Floresta é só uma pequena amostra do que ocorre com as lésbicas no espaço público equatoriano.

“Enfrentamos vários tipos de problemas, desde alugar um apartamento até no setor de saúde, porque os médicos não estão capacitados para atender mulheres lésbicas”, afirma, com tristeza, a presidente do Guipúzcoa.

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A jogadora Ani Barragán opina que a discriminação para com as lésbicas se deve à falta de informação e educação, bem como pelo moralismo da Igreja e de uma sociedade patriarcal e machista, que “exercem violência e pressão diária contra as mulheres, e especialmente contra as lésbicas”.

Cayetana Salau deplora que as mulheres homossexuais também não são aceitas dentro do “imaginário social equatoriano”. Segundo ela, é mais bem visto que um homem faça suas necessidades na rua que uma menina mostre sinais de afeto com outra, o que é declarado “imoral e obsceno”.

As integrantes da equipe Guipúzcoa criticam categoricamente a existência de supostas “clínicas” de “normalização” e de “desomossexualização”.

Salau explica que, no caso do Guipúzcoa, há uma menina que foi internada em uma dessas supostas “clínicas” e que sua namorada não pôde fazer nada para tirá-la porque as instituições “não sabem como lidar com esses assuntos”.

Para Karen Barba, um dos problemas que favorecem essas 'clínicas' é que “uma terceira pessoa pode internar a outra que tenha transtornos de gênero”.

“Nessas clínicas, estão violando os direitos humanos, estão violando mulheres lésbicas, estão assassinando transexuais, sob o auspício das autoridades. Consideramos isso sumamente grave”, ressaltou.

Apesar de todos os inconvenientes vividos pelas lésbicas no Equador, as integrantes desse time de futebol sabem que marcaram um gol ao reivindicarem seus direitos. Segundo elas, “o Guipúzcoa foi um dos orgulhos lésbicos desta década”.

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Comemoração de gol com beijo lésbico suscita divergências no Equador

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