Terça-feira, 12 de maio de 2026
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Os combates fronteiriços entre o Tadjiquistão e o Quirguistão deixaram quase 100 mortos durante a semana corrente, informaram neste domingo ambos os países. Trata-se da maior onda de violência em anos, após a instauração de um cessar-fogo frágil. Segundo o governo quirguiz, contudo, ao fim da tarde a situação na fronteira disputada pelas duas ex-repúblicas soviéticas estava calma, após a assinatura de um cessar-fogo de emergência na sexta-feira.

A diplomacia tadjique divulgou no Facebook um primeiro balanço pormenorizado da sua parte, registrando 35 mortos na maioria civis, e 25 feridos em combates entre quarta e sexta-feira.

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A mesma fonte afirma que o exército quirguiz matou 12 indivíduos num ataque com drone a uma mesquita; mais seis numa investida análoga contra uma escola, e outros sete ao disparar sobre uma ambulância. Tais informações não puderam ser confirmadas por fontes independentes, num país autoritário e fechado à imprensa.

Por sua vez, em seu mais recente balanço o Ministério da Saúde do Quirguistão relatou 59 mortos na região de Batken, situada no sudoeste, próximo à fronteira com o Tadjiquistão, além de 144 feridos. O ministro de Situações de Emergência, Boobek Ajikeeb, acrescentou que quatro soldados estão desaparecidos.

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Antes, 137 mil moradores da região haviam sido evacuados, enquanto numerosos cidadãos se apresentaram às autoridades, pedindo para ser enviados à zona de conflito como combatentes voluntários. O presidente quirguiz, Sadyr Khaparov, decretou luto nacional na segunda-feira.

Fronteira na Ásia Central é palco de combates desde fim da URSS. Putin pede moderação a presidentes quirguiz e tadjique

KYRGYZ BORDER GUARD SERVICE/REUTERS

Foto da guarda fronteiriça quirguiz registra combates com tadjiques em 16/09/2022

Putin pede calma

O balanço de vítimas indica combates fronteiriços de gravidade inusitada desde a independência destes dois países, em 1991. Em abril de 2021, choques similares causaram a morte de 50 cidadãos, suscitando temores de um conflito em maior escala.

Entre esses dois países da Ásia Central, Moscou historicamente desempenha papel de árbitro. Em conversas telefônicas neste domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, apelou a seus homólogos tadjique, Emomali Rakhmon, e quirguiz, Sadyr Khaparov, para que evitem novos confrontos.

Em comunicado, a guarda-fronteiriça quirguiz indicou que às 22h00 (14h00 em Brasília), a situação na fronteira das regiões de Bartken e Och continuava “tensa, mas “com tendência a se estabilizar”. A fonte acrescentou que “no âmbito dos acordos concluídos, as forças e meios de reforço enviados estão se retirando da fronteira para seus locais de destacamento habituais”.

A divisão entre o Tadjiquistão e o Quirguistão é regularmente palco de combates. Cerca de metade dos 970 quilômetros de fronteira comum são contestados desde o desmembramento da União Soviética, num contexto de tensão pelo acesso a recursos básicos.