Comandantes militares de Honduras vão depor na Suprema Corte, mas não serão presos
Comandantes militares de Honduras vão depor na Suprema Corte, mas não serão presos
O presidente da Suprema Corte de Honduras, Jorge Rivera, acolheu hoje (11) a acusação do Ministério Público contra seis chefes militares por abuso de autoridade e expatriação ilegal do presidente Manuel Zelaya e os convocou a depor na próxima quinta-feira, segundo o chefe do departamento jurídico do Exército, Juan Carlos Sánchez.
O magistrado aceitou o pedido da defesa para que eles se apresentem voluntariamente para depor. Com isso, explicou Juan Carlos Sánchez, advogado dos militares, o magistrado se absteve de ordenar a captura dos seis, entre eles o general Romeo Vásquez, do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, como pediu o Ministério Público (MP) na quarta-feira passada, pelos crimes de abuso de autoridade e expatriação.
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Os militares expulsaram Zelaya para a Costa Rica em 28 de junho de 2009, mesmo dia em que o então presidente foi derrubado do poder, sendo substituído por uma junta golpista liderada por Roberto Micheletti.
Zelaya, que desde setembro passado está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, considera que o MP pretende com este caso encobrir a verdade do ocorrido em junho e deixar os militares impunes.
Reconciliação
Em entrevista por telefone à rádio Globo, de Honduras, Zelaya disse hoje que concorda com o presidente eleito, Porfirio Lobo, que defendeu na semana passada a necessidade de uma reconciliação para se superar a divisão interna gerada pelo golpe.
“Nós queremos que neste país haja justiça, que os juízes sejam independentes, que não obedeçam a influências políticas, nem influências econômicas”, afirmou Zelaya. O presidente legitimamente eleito também afirmou que o processo de anistia que será discutido nesta semana pelo parlamento hondurenho procura favorecer os que o derrubaram.
“Com a anistia, os golpistas não querem ver os delitos que cometeram aqui como um golpe de Estado”, disse, ao lembrar que esse ponto não está incluído no acordo Tegucigalpa-San José, mediado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que não chegou a entrar em vigor.
O presidente deposto anunciou que a Frente Nacional de Resistência Popular, que condena o golpe de Estado, fará uma manifestação no próximo dia 27, quando o mandato de Zelaya terminaria, para protestar “contra a ditadura instalada aqui com a perda da democracia”. Nesta data, Lobo deve tomar posse.
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