Comandante dos EUA no Afeganistão pode perder o cargo por críticas a Obama
Comandante dos EUA no Afeganistão pode perder o cargo por críticas a Obama
A Casa Branca convocou o comandante militar dos Estados Unidos no Afeganistão, general Stanley McChrystal, para prestar explicações depois da divulgação de suas críticas contra o presidente Barack Obama e outras autoridades. Os comentários podem custar o posto do militar.
A repercussão obrigou o próprio McChrystal a pedir desculpas publicamente. As críticas foram publicadas em um artigo na revista Rolling Stone que causou polêmica na internet antes mesmo de sair às bancas, nesta terça-feira (22/6).
O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, se negou a confirmar se McChrystal continuará no posto. Ele se limitou a dizer que é preciso “esperar e ver o resultado do encontro”, em um indício de que o general poderia ser substituído. Amanhã, McChrystal irá a reuniões no Pentágono e ao encontro mensal na Casa Branca sobre o Afeganistão, onde dará explicações pessoalmente a Obama sobre seus comentários.
O porta-voz acrescentou que McChrystal “cometeu um tremendo erro” e amanhã “terá a chance de explicar seus comentários” no encontro, no qual Obama pedirá à equipe de segurança o compromisso específico sobre a estratégia a ser seguida no Afeganistão.
O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, que apoiou a nomeação e a estratégia no Afeganistão de McChrystal, qualificou também as declarações do comandante como “um grande erro”. Em comunicado, Gates afirma que no Afeganistão “combatemos uma guerra contra a rede Al Qaeda e seus aliados extremistas. Devemos cumprir essa missão unidos”.
O escândalo surgiu em um momento complicado para a Casa Branca, imersa em uma campanha para convencer os norte-americanos de que age com eficácia contra o vazamento de petróleo no Golfo do México. Ao mesmo tempo, a Casa Branca deve enfrentar dúvidas crescentes sobre o andamento da guerra no Afeganistão, onde a ofensiva do início do ano na região de Marjah não rendeu tantos avanços quanto o esperado e adiou o ataque ao reduto talibã de Kandahar (sul).
O artigo piora os desacordos internos no governo dos EUA sobre atuação no Afeganistão, onde Obama quadruplicou a presença militar norte-americana desde sua chegada ao poder, há um ano e meio.
Reforços
A estratégia para o país aprovada em novembro por Obama, após um longo processo de debate interno na Casa Branca, respondia, em boa medida, a pedidos de McChrystal, que tinha solicitado reforços. A previsão é de que o processo de retirada das tropas possa ter início no meio do ano que vem.
A vontade de McChrystal prevaleceu frente às opiniões de outros altos funcionários, como o vice-presidente Joe Biden, mais partidários de reduzir a presença militar. Embora Obama tenha apoiado o general, os dois nunca tiveram uma relação muito boa. Segundo a imprensa norte-americana, no processo de debate da estratégia, o presidente reprovou que o general reivindicasse reforços de maneira excessivamente pública.
No artigo publicado pela Rolling Stone, McChrystal se mostra muito crítico ao enviado especial norte-americano para o Afeganistão e o Paquistão, Richard Holbrooke, ao qual descreve como um “animal ferido”. O general também se declara “traído” pelo vazamento no ano passado de um comunicado sigiloso diplomático escrito pelo embaixador dos EUA em Cabul, Karl Eikenberry, que expressava dúvidas sobre a conveniência de reforçar o desprestigiado governo afegão com mais soldados.
McChrystal está à frente das tropas no Afeganistão há um ano e substituiu o general David McKiernan, que defendia uma estratégia mais convencional no país.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























