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Em resposta à alta do custo de mão-de-obra local, a China recorre cada vez mais aos seus vizinhos para obter o que antes produzia em seu território, sejam matérias-primas ou bens intermediários, e com isso mantém sua nova reputação de “fábrica do mundo”. Por “não haver forte aumento na demanda dos mercados industrializados, a receita para a Ásia é avivar seu próprio consumo”, disse à IPS Simon Tay, presidente do Instituto de Assuntos Internacionais de Cingapura. “A China será uma parte enorme disso, com seu crescimento, tanto geral como no mercado de consumo”, acrescentou.

Uma demanda maior, alimentada pela mudança estratégica de Pequim para reduzir um componente caro em sua linha de produção, oferece a outros países asiáticos uma via para aproveitar o crescente domínio chinês no comércio mundial, afirmam especialistas internacionais em economia.

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Os benefícios mútuos dessa expansão no comércio internacional não passaram despercebidos para os analistas regionais. “Economicamente, a China é o centro do futuro crescimento da região”, escreveu Simon no jornal tailandês The Nation. É mérito da Ásia que, apesar da crise financeira, a região continue crescendo, afirmou.

Para o aprofundamento destes vínculos dentro da região em 2010 foi crucial que a China começasse a importar matérias-primas e bens intermediários (que têm certo grau de manufatura, mas que por si só não constituem objeto final) para convertê-los em produtos terminados para exportação, disse a Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico (Escap), uma agência da Organização das Nações Unidas com sede em Bangcoc.

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No ano passado, essas nações registraram aumentos de 19,3% nas exportações e de 20,2% nas importações, segundo o informe 2010 sobre comércio e investimentos na Ásia-Pacífico, publicado pela Escap. Os pesquisadores desta agência apontam a China como principal condutor do comércio intrarregional, que também envolve Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Malásia, Indonésia, Cingapura, Tailândia e Filipinas.

“O mercado de bens intermediários na China foi a estrela fulgurante de 2010”, disse à IPS Ravi Ratnayake, diretor de comércio e investimentos da Escap. “Ele abriu novos mercados para que os países asiáticos exportem produtos e se diversifiquem”, deixando de exportar apenas bens terminados para Estados Unidos e Europa.

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Escassez de mão-de-obra

O fato de a China ter se voltado à importação e se afastado de seu papel de fornecedor de matérias-primas e bens intermediários nos setores eletrônico e têxtil tem suas raízes nos problemas que, desde 2009, afetam o mercado de trabalho no cinturão industrial do sudeste do país. Alguns analistas chineses veem com bons olhos o aumento dos custos da mão-de-obra e a decisão do governo de adotar um salário mínimo nacional.

“No longo prazo, o aumento dos custos da mão-de-obra ajudarão a estrutura econômica e industrial da China a reduzir a excessiva dependência da economia dos produtos de exportação com baixo valor agregado”, escreveu Shi Jianxun, em setembro, no Diário do Povo, após uma série de greves por questões salariais. O aumento dos custos também empurrou mais fábricas para o interior do país, afastando-se do delta do Rio Perla, onde fica Shenzhen, vibrante símbolo da China moderna e de rápida industrialização. Shenzhen, que faz limite com Hong Kong, começou seu crescimento após ser declarada zona comercial especial em 1979.

A virada do modelo de produção chinês reflete o compromisso de “elevar-se na cadeia de valor industrial”, disse Ganeshan Wignaraja, economista principal do Escritório de Integração Econômica Regional do Banco Asiático de Desenvolvimento. “A China está se convertendo no gigante de todos os tipos de indústria”, acrescentou. O país também deixou de ser o “centro do comércio de peças e componentes dos anos 1990, para fazer de tudo – peças e componentes, matérias-primas e produtos acabados – desde a crise financeira”, destacou Ganeshan em uma entrevista por telefone a partir de Manila, onde fica a sede do banco.

Os setores industriais da China – desde o aço, petróleo e alimentos até os produtos elétricos e têxteis – ajudam a impulsionar suas cifras comerciais três décadas depois que o líder reformista Deng Xiaoping (1904-1997) abriu a economia do Estado comunista, em 1979. Um ano antes, o valor dos bens exportados pela China representava apenas 0,6% do comércio mundial, bem abaixo dos atuais 8,5% do comércio mundial, segundo o Banco Asiático.

As indústrias relacionadas com a alta tecnologia no país representaram 11% das exportações, enquanto as de média tecnologia equivaleriam a 15%. Os componentes de automóveis ficam entre as principais exportações das indústrias de alta tecnologia, representando 28%, enquanto os produtos plásticos representam 37% dos produtos de média tecnologia. Em 1985, por outro lado, as exportações tecnológicas totalizaram 17%, segundo a instituição financeira regional.

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Com o alto custo da mão-de-obra local, China recorre a vizinhos para obter produtos

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