Com maioria na Câmara, Macri pede para ser submetido a julgamento político
Com maioria na Câmara, Macri pede para ser submetido a julgamento político
Um novo fato engrossa a trama de política e espionagem telefônica que agita os bastidores na Argentina. O personagem principal, o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ex-presidente do Boca Juniors e principal líder da oposição, pediu para ser julgado rapidamente pela câmara dos deputados, o que, para líderes da oposição, poderia facilitar sua absolvição, já que Macri tem maioria na casa.
Macri está sendo investigado pela Justiça pelo suposto envolvimento em uma rede de espionagem. Em abril, o político foi acusado de ter grampeado o telefone de Sergio Burstein, líder da comunidade judaica, e do cunhado dele. Além do prefeito, estariam envolvidos no caso o detetive Ciro James – ex- membro da secretaria de Educação portenha – e o ex-chefe da polícia metropolitana, Jorge “Fino” Palácios.
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Desde então, o prefeito e os membros de seu gabinete já prestaram depoimento à justiça – Macri nega ter qualquer relação com as escutas telefônicas. James e Palácios cumprem prisão preventiva para não atrapalhar o andamento do processo.
Na terça-feira, uma votação na câmara de deputados argentina tentou definir a comissão para formular novas propostas sobre como conduzir o caso do prefeito portenho, já que as anteriores (que incluíam afastá-lo do cargo) não tiveram quórum suficiente para serem aprovadas. Na sessão, o afastamento de Macri teve 20 votos a favor, 23 contra e duas abstenções. São necessários 40 votos, ou seja, dois terços do corpo legislativo.
Ciente do risco de afastamento do cargo, o principal político do partido PRO (centro-direita) reiterou ontem sua cartada mais recente: pediu para que o julgamento ocorra o mais cedo possível, para que possa se defender em juízo. O prefeito teria votos suficientes para barrar punições na câmara.
A líder da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, afirmou que a decisão de Macri é uma “loucura institucional” e disse que “sem estratégia, o prefeito não pode ser político”.
O prefeito, que reconheceu que não esteve certo ao contratar os funcionários envolvidos na trama, acusa o ex-presidente Kirchner (2003-2007), marido da governante Cristina Kirchner, de comandar a causa contra ele. Um polêmico argumento que seu pai, o empresário Franco Macri, se encarregou de desmontar: “Eu colocaria as mãos no fogo: o governo não tem nada a ver”, afirmou este fim de semana, trazendo à tona graves desavenças desta família. “As declarações do meu pai doeram”, reconheceu o próprio Mauricio Macri na segunda-feira.
Na semana que vem, a Comissão de Assuntos Constitucionais deve discutir as propostas, que depois devem voltar à Câmara e poderão ser aprovadas com maioria simples, ou seja, 31 votos. Segundo a agência de notícias Télam, os deputados tentarão aprovar uma solução dentro de um mês.
Histórico político
Macri, rico desde que nasceu, ficou popular durante sua gestão à frente do clube de futebol Boca Juniors. Entrou na política em 2003 e, após quatro anos, venceu as eleições para a Prefeitura de Buenos Aires pela coalizão conservadora Unión PRO.
Oposicionista de centro-direita e um dos pré-candidatos à presidência, Macri enfrenta um processo por escutas ilegais, após a denúncia de Burstein, um advogado judeu parente de uma vítima do atentado contra a Amia (Associação Mutual Israelita Argentina) em 1984.
Burnstein denunciou que foi objeto de escutas telefônicas por parte de Jorge “Fino” Palacios, que também é acusado de encobrimento na investigação do atentado contra a Amia. Palacios, que chegou a ser um dos mais importantes delegados da Polícia Federal argentina, foi demitido em 2004 pelo governo do ex-presidente Kirchner, opositor de Macri. Em novembro de 2008, foi nomeado chefe da Polícia Metropolitana de Buenos Aires, criada pelo prefeito.
Os investigadores do caso encontraram informações sobre espionagem ilegal em computadores apreendidos em uma agência de segurança controlada por Palacios e com a qual também está supostamente relacionado o antigo subchefe da Polícia Metropolitana Osvaldo Chamorro, que Macri destituiu em novembro. Tendo em vista estas provas, o juiz federal Norberto Oyarbide ordenou o processo contra o prefeito e um tribunal superior formado por três magistrados confirmou a decisão na semana passada.
*Com agências
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