Terça-feira, 12 de maio de 2026
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Em meio à inflação recorde e temor de escassez de gás para aquecer as casas no inverno, o governo alemão promove encontro ministerial de dois dias nos arredores de Berlim. O evento visa acertar os ponteiros da coalizão de governo para achar uma saída para a crise econômica e energética que afeta o país, consequência da guerra na Ucrânia.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse nesta terça-feira (30/08) que os reservatórios de gás da Alemanha estão numa situação muito melhor do que o esperado meses atrás para enfrentar o próximo inverno.

Scholz afirmou que as medidas tomadas pelo governo alemão “contribuíram para assegurar o abastecimento” e que “a situação atual é muito melhor do que a prevista alguns meses atrás”. Mas o temor de que pode não haver gás suficiente para aquecer as casas neste final de ano e no começo do ano que vem ainda existe.

Como resposta às sanções impostas a Moscou pelo Ocidente por causa da guerra na Ucrânia, a Rússia vem diminuindo as quantidades de gás enviadas à Alemanha e ao restante da Europa.

O governante alemão assegurou que os reservatórios de gás alemães estão com mais de 80% da sua capacidade e que eles continuarão a ser abastecidos “para estarem preparados para o próximo inverno”, reduzindo o risco de que falte gás para aquecimento das casas no período mais frio do ano. A meta de Berlim até o fim do ano é que os reservatórios estejam cerca de 90% cheios.

No início da invasão russa, a Alemanha era fortemente dependente do gás russo e vem conseguindo paulatinamente reduzir essa dependência, mas o processo de substituição desse combustível é lento. Se Moscou fechar as torneiras, pode provocar uma forte recessão na maior economia europeia.

Ameaça de recessão

Mas a julgar pelos últimos números, a recessão já começa a bater às portas da Alemanha. O anúncio de Scholz sobre a segurança energética da Alemanha veio no mesmo dia em que foi divulgada a notícia de que a Alemanha registrou a maior taxa de inflação em quase 50 anos.

Governo alemão promove encontro ministerial de dois dias nos arredores de Berlim;  evento visa achar saída para quedas que assolam economia do país

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fdecomite/Flickr

Rússia vem diminuindo as quantidades de gás enviadas à Alemanha e ao restante da Europa

Depois de uma leve queda nos dois meses anteriores, a inflação do mês de agosto foi de 7,9%, em comparação com agosto do ano passado. As maiores causas foram justamente os altos preços da energia, além dos preços dos alimentos.

A última vez que taxas similares foram registradas foi durante a crise do petróleo do inverno de 1973 e 1974. Em maio desse ano, a inflação também bateu a mesma marca dos 7,9%.

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Economistas acreditam que a taxa deve crescer ainda mais, principalmente a partir do mês que vem, quando acabam os benefícios de um pacote de três meses do governo para amortecer o peso dos altos preços da energia no bolso do consumidor.

Nesta quinta-feira (1°) deixam de vigorar os descontos no imposto de combustíveis e os bilhetes de transportes públicos a preços subvencionados.

Analistas afirmam que se não houver outras medidas de amortecimento dos altos preços de energia para a população, a inflação na maior economia europeia pode alcançar os dois dígitos antes do fim deste ano.

Essa reunião de dois dias nos arredores de Berlim também deve servir para que os partidos da coalizão governamental alemã cheguem a um acordo sobre novas medidas econômicas para enfrentar a crise.

Popularidade em queda

Essa crise energética e econômica desencadeada pela guerra na Ucrânia parece que já começa a se refletir na popularidade do governo alemão.

Neste mês, os índices de popularidade do chanceler Olaf Scholz e de sua coalizão chegaram ao patamar mais baixo desde que esse governo tomou posse, em dezembro do ano passado.

De acordo com uma sondagem publicada na semana passada pelo tabloide Bild,quase dois terços dos alemães estão insatisfeitos com o trabalho de Scholz e de seu governo, formado pelos partidos Social-Democrata (SPD), Partido Verde e o Partido Liberal (FDP).

A pesquisa apontou que a desaprovação do governo Scholz está em 62%, uma queda significativa no apoio do eleitorado. Há menos de seis meses, a desaprovação do líder alemão era de cerca de 39%.