Terça-feira, 12 de maio de 2026
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O clima generalizado de orações, respeito e tristeza dominou nesta quinta-feira (28/10) o retrato do incessante desfile popular pela Casa Rosada dos milhares de peronistas na despedida do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner.

No meio de um gigantesco esquema de segurança, a Praça de Maio voltou a se transformar em cenário de um feito que ficará marcado nos livros de história e na antessala como o maior velório público na sede do Governo.

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Com bandeiras argentinas e ramalhetes de flores, os primeiros a entrar no “Salão dos Patriotas Latino-americanos” da Casa Rosada permaneceram em vigília durante toda a noite na Praça de Maio para não perder o turno.

“Força Cristina”, “Gracias Néstor”, “Sua partida nos dói, mas seu legado ficará para sempre”, “Cristina: confiamos em sua fortaleza. Tens nosso apoio”, “Mais do que nunca com Cris: nem um passo atrás”, estampam alguns dos inúmeros cartazes presos às grades da sede do Executivo e quase não deixam à mostra as coroas de flores colocadas sobre a esplanada.

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As homenagens a Kirchner e as palavras de ordem peronistas romperam o silêncio reinante entre os simpatizantes que esperavam do lado de fora das cercas instaladas a 200 metros do acesso à Casa Rosada.

Apesar da solenidade, muitos engrossaram o coro de gritos em repúdio ao vice-presidente argentino, Julio Cobos, que faz oposição ao Governo desde 2008.


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“Saia Cobos, você é um traidor” e xingamentos até mais grosseiros ecoaram na histórica praça, enquanto outros cantavam a “Marcha Peronista”.

A chegada de helicóptero da presidente Cristina Fernández de Kirchner, acompanhada de seus dois filhos, Máximo e Florencia, minutos depois, foi saudada com aplausos compassados.

Muito emocionada, Cristina entrou no salão onde está colocado o caixão, ladeada pela família e os ministros de seu Gabinete.

Vestida com uma roupa preta e grandes óculos escuros que escondiam parte de seu rosto, abraçou a filha e a Estela de Carlotto, uma ativista titular das Avós da Praça de Maio, quando alguns seguidores peronistas cantavam vivas ao ex-presidente.

Embora o rito oficial pregue passar em silêncio em frente ao féretro, coberto com uma grande bandeira da Argentina, vários simpatizantes aplaudiram, lançaram vivas a Kirchner e à presidente e alguns, mais ousados, pediram inclusive para cumprimentá-la.

Na longa fila para chegar à Casa Rosada, que se estende por vários quilômetros, Miriam Cáceres, mãe de um menino de 9 anos afilhado de Kirchner durante sua gestão presidencial (2003-2007), não podia esconder a tristeza.

“David é meu sétimo filho homem e durante sua Presidência, amparando-me na lei, decidi que Kirchner iria ser seu padrinho”, explicou à Agência Efe.

“Foi um grande homem. Sempre recebeu o menino com muito carinho. Quando David soube de sua morte foi um mar de lágrimas porque sentia adoração pelo ex-presidente”, relatou.

Mabel Becerra, vizinha de Mar del Plata, quis despedir-se de Kirchner e na madrugada percorreu os 400 quilômetros que separam essa cidade da capital do país para participar do velório.

“É a primeira vez que ingressarei na Casa Rosada. Kirchner merecia que viajasse para Buenos Aires. Demonstrou que com amor, dignidade e trabalho é possível conseguir muitas coisas para os argentinos”, comentou à Efe.

“Foi um grande lutador pela soberania argentina e dos povos latino-americanos. Parece que foi ontem que minha cidade se opôs junto com (o presidente venezuelano, Hugo) Chávez aos planos expansionistas dos Estados Unidos”, lembrou em alusão à Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), rejeitada na Cúpula das Américas de 2005.

Embora não existam números oficiais, calcula-se que dezenas de milhares de pessoas esperam ainda em uma fila de vários quilômetros para despedir do ex-presidente e líder do peronismo.

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Com bandeiras e flores, argentinos se despedem de Néstor Kirchner

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