Colônia Dignidade "está absolutamente diferente", diz porta-voz
Colônia Dignidade "está absolutamente diferente", diz porta-voz
A Colônia Dignidade, criada em 1961 no sul do Chile
está “absolutamente diferente” da época em que seu
fundador, o ex-suboficial nazista Paul Schaefer a dirigia, assegurou
Martin Matthusen, porta-voz da instituição, conhecida também como
Villa Baviera.
“Em breves palavras posso dizer que houve
inúmeras mudanças. Tudo o que existe hoje não lembra em nada o
sistema hierárquico e autoritário que existiu no passado”,
disse Matthusen, mas reconheceu que é difícil superar um passado
tão complicado em pouco tempo.
Conforme o depoimento de
sobreviventes, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), a
Colônia, que abrangia 16 mil hectares, serviu como campo de
concentração e de torturas.
Durante as décadas de 1970 1980, a Colônia buscava projetar ao
exterior uma imagem de harmonia, trabalho e ordem. Propagandas
circulavam no Chile mostrando moradores felizes, no meio de festas e
comemorações, os homens dedicados às tarefas de campo, as mulheres
e as meninas bordando ou preparando manteiga.
Entretanto, em meados da década de 1980, um
alemão escapou do local e foi à Alemanha para denunciar abusos
cometidos no local. O governo alemão pressionou, sem sucesso, o
governo de Pinochet para que a situação fosse esclarecida.
O local chegou a ser denunciado
como “um Estado dentro de outro Estado” pelo ex-presidente
Patrício Aylwin (1990-1994), que iniciou medidas para revelar os
segredos deste local.
O vídeo abaixo mostra algumas reportagens sobre a Colônia Dignidade publicadas desde a sua fundação:
Schaefer morreu neste sábado (24/04) em
consequência de uma doença cardíaca crônica no hospital da prisão
onde cumpria pena por homicídio, tortura e abuso sexual de menores.
Leia mais:
Paul Schaefer, fundador da Colônia Dignidade, morre no Chile
Para
Matthusen, “a morte de cada pessoa é lamentável,
independentemente do que tenha feito”.
Disse também que
os habitantes da Colônia “não têm reações extremas”
frente ao caso e reiterou que após a prisão de Schaefer em 2005, “a
vida mudou completamente”.
A colônia Villa Baviera foi
aberta à comunidade após a detenção do alemão.
As autoridades facilitaram a inserção dos colonos na sociedade
e o início de negócios legais relacionados à produção agrícola
e à gastronomia.
Hernan Fernandez, advogado de várias
vítimas de Schaefer, disse que sua morte deveria dar um impulso
final às investigações em torno dos cúmplices de seus delitos,
“para que haja justiça e reparação”, manifestou aos
jornalistas.
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