Terça-feira, 28 de abril de 2026
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O vencedor das eleições presidenciais colombianas, que acontecem neste domingo (30/5), terá o desafio de buscar alternativas para resolver o problema da segurança e da guerrilha no país, já que a população está “cansada” das ações militares promovidas por duas gestões consecutivas de Álvaro Uribe, opinam especialistas ouvidos pela ANSA.

“A população hoje está cansada, os colombianos estão começando a entender que não é possível ter segurança com base na força da polícia, na força do Exército. A segurança requer acordos, pactos de compromisso, que respeitem a convivência cidadã”, afirmou Jaime Zuluaga Nieto, doutor em Ciências Políticas e professor emérito da Universidade Nacional da Colômbia.

De acordo com Zuluaga Nieto, os dois principais candidatos à presidência, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, do governista Partido Social da Unidade Nacional, e o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, do Partido Verde, “contemplam a possibilidade de uma perspectiva de negociação com as guerrilhas e com os grupos paramilitares, em particular com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)”, o que atualmente é repudiado pelo governo.

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Embora possam ser mais propensos ao diálogo, os dois candidatos destacaram ontem, em um debate promovido pela imprensa local, que não pretendem firmar um acordo humanitário com as Farc, que pedem a libertação de guerrilheiros em troca de reféns de peso político.

“Santos e Mockus se comprometem a manter a política de mão firme diante das guerrilhas. O problema será manter a pressão sem seguir com os métodos de guerra suja” do atual governo, analisou, por sua vez, o especialista em Sociologia Política da América Latina Daniel Pécaut, diretor de estudos da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (EHESS, na sigla em francês).

“O povo agora se deu conta de que o balanço da política de Segurança Democrática não é tão positivo quanto se acreditava. Apesar da queda das taxas de homicídios e do número de sequestros, a violência segue em muitos departamentos (estados)”, acrescentou Pécaut.

Para ambos especialistas, essa percepção dos problemas internos e do nível de eficácia das medidas aplicadas pelo governo fez com que “o eixo da campanha destas eleições fosse a ética política”.

“Em 1998, a opinião pública apoiou a busca por uma solução negociada com as Farc [elegendo Andres Pastrana Arango, que fracassou nos diálogos com a guerrilha]. Em 2002, a mesma opinião pública se sentiu enganada pelas Farc e o resultado foi a eleição de Álvaro Uribe, que três meses antes era um desconhecido”, relembrou Pécaut, reiterando crer que a solução ao conflito armado é a negociação.

Uribe, que foi reeleito em 2006, teve como principal característica de gestão o combate à guerrilha e ao narcotráfico de forma incisiva. Conservador e aliado dos Estados Unidos, tem constantes desavenças com governos de esquerda da América Latina. A mais recente foi no ano passado, quando Bogotá anunciou a assinatura de um acordo militar que permite que soldados norte-americanos operem em suas bases, o que foi visto como um risco à soberania nacional e regional.

Mas o que mais preocupa alguns dos países latino-americanos, principalmente os que fazem fronteira com a Colômbia, é a postura que Santos, se eleito, terá em relação à política externa e à segurança, já que foi ministro da Defesa no governo Uribe e foi o responsável pelo ataque contra um acampamento das Farc em território equatoriano, em 2008, que levou Quito a romper as relações com Bogotá e emitir uma ordem de prisão contra o então ministro, acusando-o de ser o mentor intelectual da incursão.

“Ele não deve voltar a comprometer o Estado ou a violar o território de nenhum país do mundo”, comentou Zuluaga Nieto, que opinou ainda que vitória de Mockus tornaria “mais fácil” a resolução dessas questões delicadas.

Quem concorre

Além de Mockus e Santos, que estão tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto, concorrem ao cargo à ex-chanceler Noemi Sanín, Partido Conservador Colombiano (PCC), Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo (PDA) e Germán Vargas Lleras, do Partido Mudança Radical.

Jaime Araújo Rentería, da Aliança Social Afrocolombiana (ASA), Jairo Calderón, do Movimento Abertura Liberal, e Róbinson Devia Gonzalez, do Movimento A voz da consciência, completam a lista de presidenciáveis.

Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% da preferência do eleitorado, haverá segundo turno em 20 de junho.

Por sua vez, também ontem, as Farc – que poderiam cometer atentados no dia do pleito – pediram aos cidadãos que se abstenham nestas votações. Os nove postulantes “se esforçam para demonstrar submissão frente ao império, assumindo posições contra os vizinhos e de joelhos frente” aos Estados Unidos, disse a guerrilha em um comunicado.

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Colombianos esperam mudanças nas políticas de segurança, dizem analistas

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