Colômbia: Mockus fica isolado enquanto campanha de Santos concentra aliados
Colômbia: Mockus fica isolado enquanto campanha de Santos concentra aliados
A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, no próximo domingo (20/6), o cenário definido de apoio para as campanhas do governista Juan Manuel Santos e do oposicionista Antanas Mockus (Partido Verde) é de desequilíbrio em favor do primeiro. O candidato preferido pelo atual presidente, Álvaro Uribe, arregimentou muito mais apoio entre os derrotados no primeiro turno.
No próprio domingo do primeiro turno, dia 30 de maio, Santos falou em formar um governo de união nacional que incorporasse todos os partidos dispostos a participar. Esse discurso se tornou uma porta aberta para facilitar a aproximação de conservadores, liberais e membros do partido direitista Cambio Radical para angariar apoio ao “uribista”, deixando Mockus mais isolado.
Os primeiros a aderir à proposta foram os conservadores, em um processo natural, por serem “uribistas” desde o primeiro mandato de Álvaro Uribe (no poder desde 2002). O ex-ministro da Agricultura e liderança conservadora Andrés Felipe Arias esteve à frente das negociações. Na segunda-feira seguinte ao pleito, chegou com 50 parlamentares em bloco com apoio fechado à campanha de Santos.
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Dias depois, aderiram os liberais, quase 80% dos eleitos pelo partido declararam apoio a Santos. O candidato liberal, Rafael Pardo, tinha declarado que os militantes eram livres para apoiar quem quisessem e, mesmo percebendo a tendência do partido, recusou-se a aderir. “Não seria coerente que um partido que está há oito anos na oposição agora apoie um candidato cujo lema é a continuidade”, comentou Pardo.
Com ele, ficou uma parte do partido, inclusive a senadora Piedad Córdoba, conhecida pela mediação nas negociações com as Farc para a libertação de reféns.
Os últimos foram os eleitos pelo Cambio Radical, partido do candidato Germán Vargas Lleras. A decisão não foi fácil, porque alguns correligionários mais próximos a Lleras eram contrários e porque o próprio líder do partido poderia ser prejudicado se desse apoio declarado a Santos. Mas, no final, acabaram aderindo à campanha governista.
Governabilidade
Já os verdes de Antanas Mockus ficaram sem aliados. Depois de dias de negociação com o Polo Democrático Alternativo, do candidato Gustavo Petro, não se chegou a nenhum acordo. Venceu a opinião dos militantes do Partido Verde que não viam com bons olhos uma aliança com a esquerda, pensando mais no futuro do partido e no posicionamento ao centro do que nas eleições. Atualmente, Mockus só fala de uma “aliança de cidadãos”, com o povo e não com os partidos, cujo único potencial de crecimento está nos eleitores que deixaram de votar no primeiro turno mas ainda podem votar no segundo.
Assim, se Santos for eleito, terá controle sobre quase todo o parlamento com uma base aliada que seria muito maior que a de Uribe, com cerca de 77 dos 102 senadores e uma porcentagem ainda maior de deputados.
Ainda assim, segundo analistas consultados pelo Opera Mundi, Juan Manuel Santos nem precisa desta coalizão para vencer. Para eles, o candidato do Partido de la U – por ter ficado a apenas três pontos percentuais de ser eleito em primeiro turno – já se trata como presidente eleito e sua preocupação é a governabilidade, não a vitória.
Xingado no Twitter
O último a aderir à campanha de Santos foi o ex-presidente liberal César Gaviria (1990- 1994). “Depois de um longo processo de reflexão e usando a liberdade dada pelo líder do partido, tomei a decisão de votar em Juan Manuel Santos para a presidência da república”, anunciou Gaviria em uma carta. “Tomara que ele ponha fim à cultura do atalho e voltemos a uma forma de governo que fortaleça o Estado e as instituções. Tomara que ele aproveite o sentimento da ‘onda verde’ [referência ao crescimento da campanha de Mockus] quanto à transparência, à luta contra a corrupção, à depuração dos costumes políticos e ao respeito à nossa ordem jurídica”.
Minutos depois, Uribe contestou pela conta oficial no Twitter, insultando Gaviria. A mídia colombiana confirmou que, pouco depois, o presidente colombiano telefonou e xingou o antecessor, chamando-o de “covarde, velhaco e miserável”. A tréplica do ex-presidente não demorou: “Vá terminar de mandar no que resta deste seu governo, que é um verdadeiro nojo”, e desligou.
Santos fez o papel de mediador, aceitando Gaviria entre os aliados e rechaçando as opiniões dele sobre o governo Uribe. “Vamos construir a unidade nacional sem olhar para trás. Só olharemos para trás para expressar gratidão ou encontrar virtudes que nos inspirem”, contemporizou.
Antecipação
Mas, segundo analistas do website Lasillavacia.com, “o que aconteceu foi uma antecipação, um trailer da tensão permanente que haverá entre o novo presidente e seu antecessor. A coligação de Santos, por ser maior, fica menos refém do Partido Conservador, que será a trincheira de Uribe para garantir que seu legado será respeitado e que, com Santos, terá na prática conseguido sua própria reeleição. Por isso, os liberais são fundamentais para Santos, pois, com eles, o Partido de la U e o Cambio Radical já terão votos suficientes para aprovar os projetos no congresso. E para neutralizar as pressões dos conservadores”.
Pessoas que conhecem Santos pessoalmente acreditam que, se for eleito pesidente, vai querer passar à Historia como o melhor da história da Colômbia, e que a humildade que tem mostrado em relação a Uribe será algo do passado.
O paradoxal é que o próprio Partido Verde parece ter tentado entrar na coligação de Santos. Os ex-prefeitos que fazem campanha com Mockus declararam que não querem ser de oposição, como o próprio candidato confirmou. Se o cenário se confirmar, o Polo Democrático Alternativo seria o único partido da Colômbia fora da nova base aliada.
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