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A Colômbia comemora nesta terça-feira os 200 anos de sua independência e do fim do sistema colonial, mas, assim como outros países da região, a emancipação ocorreu apenas no campo político, afirmam especialistas ouvidos pela ANSA.

“Não se pode dizer que a Colômbia é independente”, opina o cientista político Jaime Zuluaga Nieto, professor da Universidade Nacional da Colômbia, que cita a “tendência ao consumismo” como uma das influências negativas dos Estados Unidos, que “acabam com a cultura local”.

O governo colombiano tem hoje os EUA como principal mercado para suas exportações, tendo enviado 38% de sua produção ao território norte-americano em 2008. As duas nações ainda mantêm ainda acordos comerciais e militares, estes direcionados ao combate ao narcotráfico.

Efe



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“Temos que trabalhar por uma segunda independência”, avalia Zaluaga, doutor em ciência política, que vê a comemoração do bicentenário da independência como um estímulo ao nacionalismo, um sentimento “não muito grande” no país.

No mesmo sentido, o diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos de Valparaíso, no Chile, Leonardo Jeffs, acredita que o processo se limitou ao campo político. “Caímos em um sistema neocolonial”, afirma o analista, que considera que a situação vai além da Colômbia, envolvendo “toda América Latina”.

Há muitos grupos “que controlam o poder político” e nações que “são alheias a um processo de integração”, esclarece. “Chile, Peru, Colômbia e México, por exemplo, são países partidários de investimentos estrangeiros, que optaram por um modelo de economia neoliberal”, explica Jeffs.

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Marcas dessa “forte dependência” é o impacto que a crise mundial de 2008, que começou nos EUA, teve nos países citados. Somente no México foi sentida a pior retração econômica em 70 anos, visto que essa nação é muito atrelada a Washington.

Quanto ao Brasil, Jeffs opina que o país vem jogando “mais para ser potência do que para lutar contra a dependência”. Ainda assim, ele crê que há momentos de aproximação com a América Latina, mesmo que “tenhamos diferenças no processo de colonização”.

Por sua vez, Zuluaga acredita que o Brasil, além de ser uma força econômica entre os Estados latino-americanos, é também um dos promotores do processo de integração, ideia que o especialista chileno rebate afirmando que o país de Luiz Inácio Lula da Silva “tem interesse” em se fazer presente no Cone Sul e, por isso, “não convém se afastar”.

Além da Colômbia, Chile e México também comemoram o bicentenário neste ano. Bolívia, Equador, Venezuela e Argentina já celebraram a data.

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Colômbia comemora bicentenário com "forte dependência" dos EUA

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