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A Colômbia cogita sair da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) caso os membros do bloco insistam no tema das bases militares, segundo o ministro da Defesa, Gabriel Silva.

“Se este impasse se perpetuar, se não virmos preocupação com armamentos, tráfico de armas, crime organizado e narcotráfico, se não houver sensibilidade [dos outros membros] por esses temas, caberia avaliar [a saída]”, disse ontem (16) o ministro em entrevista à rádio colombiana Caracol.

No entanto, Silva afirmou que o tema não foi tratado “explicitamente” na reunião ministerial da Unasul realizada na última terça-feira, em Quito. Ele disse que o governo de Álvaro Uribe ainda tem esperança de “endireitar o caminho”, mas insistiu que “não houve sensibilidade suficiente” quanto aos temas que preocupam a Colômbia. 

José Jácome/EFE (15/09/09)



O ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva, ao lado do ministro de Relações Exteriores do país, durante reunião da Unasul

O encontro foi convocado fundamentalmente para analisar o convênio pelo qual tropas norte-americanas poderão utilizar bases militares em território colombiano, mas terminou sem consenso e sem acordos concretos.

Durante a reunião, o chanceler do Brasil, Celso Amorim, considerou que a postura do governo colombiano está afastando o país dos demais membros do bloco. “A Colômbia não tem pretexto para não apresentar as informações do acordo, pois isso se constitui no ponto de partida para o trabalho que se quer desenvolver na região. Somos onze contra um”, disse Amorim em entrevista à rede BBC.

Ontem, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, também declarou que o governo da Colômbia “ficou totalmente isolado” na Unasul ao se negar a explicar o alcance do convênio militar com os Estados Unidos.

Diante da repercussão, o presidente colombiano pediu hoje “muita paciência” dentro da Unasul nos próximos debates. “O fato de que haja discussões nestas instituições, de que a Colômbia apresente seus pontos de vista, me parece correto para o que é a razão de ser destas instituições”, disse Uribe a jornalistas.

O governo colombiano já afirmou que a divulgação dos detalhes do acordo dependerá “da existência de simetria”, ou seja, de que outras nações tenham a mesma conduta em relação a seus respectivos pactos militares.

Liderança brasileira



Joaquín Hernández, especialista em política internacional, afirmou à rede BBC que a resposta para o impasse deve vir do Brasil. “A Unasul é uma iniciativa brasileira. O país tem de exercer sua liderança na integração e desenvolvimento de uma diplomacia multilateral que não exclua o diálogo bilateral, para a busca do equilíbrio no bloco regional”, afirmou Hernández.

Além disso, segundo o analista, é primordial que se promova uma real transparência entre os membros do grupo, que inclua tanto o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos como a compra de armas por parte de vários países da região.

Colômbia cogita sair da Unasul, diz ministro da Defesa

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