Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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Cocaleiros bolivianos de Yungas continuam a manter bloqueada uma estrada na região, exigindo a ampliação das cotas para a venda da folha de coca. Por sua vez, cocaleiros de Chapare aceitaram um pedido do presidente Evo Morales de limitar a produção para evitar que ela seja desviada ao narcotráfico.

O conflito em Yungas deixa incomunicável desde o dia 11 a estrada que liga La Paz ao norte do país, e poderia derivar em um confronto entre transportadores e outros agricultores, que ameaçam se mobilizar a fim de abrir os caminhos por conta própria.

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Morales – que iniciou sua trajetória como líder cocaleiro justamente em Chapare, região pela qual foi eleito deputado – declarou ontem (18/10) que “não há nada a ser discutido” com os manifestantes, e que o problema “não é de responsabilidade do governo”, já que “está anulada” a regulamentação nº 427 de 13 de agosto.

A norma, rechaçada pelos produtores, restringiria as cotas de venda de coca de 15 a cinco libras (cerca de 10 quilogramas) e foi suspensa pelas autoridades no início deste mês. Segundo o presidente, o protesto “só prejudica o transporte, o turismo e os outros agricultores”. “Estão afetando sua própria região”, lamentou.

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Os produtores exigem que as limitações de venda sejam aumentadas em 40% – na Bolívia, são previstos por lei 12 mil hectares para o cultivo da coca com fins medicinais e alimentação, e sete mil deles se encontram em Yungas. Os manifestantes também demandam uma série de obras de desenvolvimento regional.

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Ramiro Sánchez, da Associação Departamental de Produtores de Folha de Coca (Adepcoca), anunciou que “enquanto o governo não se aproximar para negociar, o bloqueio continuará”, ainda que tenha reconhecido que só está pendente “o tema do limite de comercialização”.

Já para o secretário do sindicato dos motoristas local, Andrés Patón, “o presidente tem que solucionar o problema porque é sua própria gente que está bloqueando”. Nos dois pontos de impedimento, 45 e 70 quilômetros a norte de La Paz, há mais de mil veículos detidos, e a maior parte dos caminhões parados contém produtos agrícolas, como frutas.

Negociação



No domingo, os cocaleiros de Chapare aceitaram limitar suas áreas de produção a “um cato” – o que equivale a 1.600 metros quadrados – em cada propriedade rural, e não dividi-las para ter direito a maiores superfícies de cultivo.

No sábado, em um encontro de agricultores, Morales havia admitido que parte da coca produzida na região era destinada ao mercado ilegal de drogas, e pedira o fim das tentativas para aumentar a área de produção além dos limites legais.

Hoje, o mandatário reiterou que a redução dos cultivos deve “ser acordada” e “com respeito aos direitos humanos”, e apontou que o governo planeja reduzir neste ano oito mil hectares “sem que haja mortos nem enfrentamentos”.

Morales reafirmou que a origem do narcotráfico está nos mercados de consumo e que seu combate é uma responsabilidade compartilhada, e se declarou “surpreso” com a decisão voluntária dos cocaleiros de Chapare de se manter nos limites legais e evitar cultivar coca em áreas de parques nacionais.

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Cocaleiros bolivianos mantêm protesto por aumento de cotas de venda‏

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