Terça-feira, 7 de abril de 2026
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A Corte Eleitoral do Uruguai confirmou neste domingo (1º) que a coalizão governista Frente Ampla obteve a maioria parlamentar nas eleições de 25 de outubro. A aliança de centro-esquerda obteve 16 cadeiras no Senado (contra 9 do Partido Nacional e 5 do Partido Colorado) e 50 na Câmara dos Deputados (contra 30 do PN, 17 do PC e 2 do Partido Independente), o que garante o domínio do Legislativo em praticamente todos os temas. Para o próximo período de governo, a aliança decidirá o orçamento, a continuidade das reformas estruturais iniciadas pela atual administração e as principais diretrizes da política externa.

Embora a esquerda uruguaia tenha obtido 47,9% dos votos, os governistas observam que a reconquista da maioria parlamentar depois de cinco anos no governo é um feito notável, apesar das expressões de angústia e frustração de seus dirigentes na noite da eleição. No entanto, a votação foi menor do que nas eleições de 2004, quando Tabaré Vázquez venceu no primeiro turno com 50,6%.

A maioria parlamentar também é um argumento de peso para o segundo turno da eleição presidencial, no próximo dia 29. Já na semana passada, quando se estimava que a Frente Ampla elegeria senadores e deputados suficientes para controlar as duas casas, os dirigentes da campanha começaram a ajustar seus discursos à nova realidade.

Em seu programa diário na rádio M24, o candidato de esquerda José Mujica enfatizou que a conquista da maioria parlamentar é “muito importante”. Mas voltou a defender acordos com os partidos da oposição sobre os “grandes temas nacionais”: segurança, educação, meio ambiente e energia. “O normal deve ser a negociação, e não a imposição. A imposição só serve para quando as coisas esquentarem”, afirmou.

O comando da campanha da Frente Ampla decidiu usar o trunfo da maioria parlamentar para argumentar que o rival, o ex-presidente pelo Partido Nacional Luis Alberto Lacalle, não garante a governabilidade e que, se ele vencer, haverá conflitos permanentes entre o Executivo e o Legislativo.

A oposição também adaptou seu discurso às circunstâncias e argumenta que a vitória de Lacalle neste mês é fundamental para que haja num “equilíbrio” entre duas visões da sociedade.

No dia 29, se Mujica mantiver o apoio que obteve no primeiro turno, precisará de mais 5 mil votos (pouco mais de 2%) para vencer e garantir um segundo governo de esquerda no Uruguai.

Coalizão de centro-esquerda confirma maioria parlamentar no Uruguai

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