Cientistas chilenos trabalham no desenvolvimento de vacina contra alcoolismo
Cientistas chilenos trabalham no desenvolvimento de vacina contra alcoolismo
Um grupo de cientistas da Universidade do Chile está desenvolvendo, há cerca de quatro anos, uma vacina contra o alcoolismo. O estudo tem como objetivo criar uma fórmula que pode atuar tanto como uma prevenção como um tratamento contra a dependência alcoólica, problema que atinge cerca de 18% dos 17 milhões de habitantes do país.
A pesquisa, desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Dinâmica Celular e Biotecnologia (ICTB) em conjunto com o laboratório farmacêutico Recalcine e com incentivo do Fundo de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do país (FONDEF), toma como base uma mutação identificada em 20% da população asiática, principalmente em chineses, japoneses e coreanos.
Os portadores destas enzimas mutantes geralmente sofrem com fortes reações após a ingestão de álcool. “Os sintomas de náuseas e taquicardia são tão expressivas nas pessoas com esta característica, que faz com que elas resistam à bebida”, explicou ao Opera Mundi o professor doutor da Universidade do Chile Juan Asenjo, que lidera o estudo.
Os fortes efeitos, segundo ele, poderiam fazer com que dependentes alcoólicos diminuam o consumo de bebida. “Quando injetamos o vírus para produzir a mutação em ratos com dependência genética, estes animais reduziram 50% do consumo alcoólico. Se intensificarmos a dose, acredito que poderemos chegar a uma redução de 80 a 90%”, afirmou.
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A primeira parte da pesquisa consistiu na definição de quais células seriam utilizadas para a produção dos vírus responsáveis pela mutação. Esta etapa também foi realizada com a colaboração da Fundação e do Instituto e Butantã, de São Paulo.
“Agora estamos estabelecendo diálogos preliminares com o superintendente-geral da Fundação, Hernan Chaimovich, para indicar o volume de células que vamos precisar para produzir os vírus”, disse, sobre a parceria com a instituição brasileira.
Se aprovada após os testes com animais, a medicação provocará nos pacientes efeitos mais prolongados do que os de outras drogas contra o alcoolismo disponíveis no mercado. “A fórmula existente tem duração de apenas um dia. Com a mutação, os pacientes sentirão os sintomas de seis meses a um ano, desestimulando o vício”, explicou o professor.
A previsão é que, em 2012, os testes já possam ser realizados em seres humanos.
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