China denuncia EUA na OMC por aumento na tarifa de importação de pneus
China denuncia EUA na OMC por aumento na tarifa de importação de pneus
A China denunciou hoje (14) os Estados Unidos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) por considerar “abusivas” as tarifas alfandegárias impostas por Washington às importações de pneus chineses.
Na sexta-feira passada, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou um decreto que prevê o aumento da tarifa de importação de pneus para carros de passeio e veículos leves procedentes da China. A medida entra em vigor no dia 26 deste mês e terá duração de três anos. Os tributos serão de 35% no primeiro ano, 30% no segundo e 25% no terceiro.
“Com esta decisão, os Estados Unidos não respeitaram os compromissos que assumiram na cúpula do G20 [grupo dos vinte países mais ricos e os principais emergentes] e abusaram das medidas comerciais, o que é um protecionismo grave que debilitará as relações econômicas e comerciais China-Estados Unidos, assim como a rápida recuperação da economia mundial”, afirmou a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu, segundo a agência Nova China.
”A medida norte-americana não apenas viola as regras da OMC, como os compromissos dos Estados Unidos na cúpula financeira do G20”, declarou o porta-voz do ministério do Comércio, Yao Jian. “No contexto de crise econômica mundial, trata-se de um exemplo muito ruim, e a China se reserva o direito de reagir”.
O governo chinês também se comprometeu a dar assistência aos fabricantes de pneus, encorajando-os e ajudando-os a otimizar a estrutura de exportação e a fabricação de produtos com maior valor tecnológico.
Nos Estados Unidos, a tarifa é vista como um sinal de que Obama planeja cumprir a promessa que fez a sindicatos para implantar leis comerciais mais rígidas, especialmente contra a China, que se tornou a nova fábrica do mundo, enquanto os Estados Unidos perderam milhões de empregos fabris. Além disso, o déficit de comércio com a China chegou a um recorde de 268 bilhões em 2008, segundo o jornal The New York Times.
Segundo o comunicado oficial emitido pela China, as exportações de pneus chineses não prejudicam a produção norte-americana que, inclusive, caíram 16% em termos anuais no primeiro semestre deste ano.
Promessas no G20
Washington e Pequim se comprometeram a cooperar para retomar o crescimento econômico global na última reunião do G20, em abril. A atual disputa põe em foco o atrito entre os países sobre comércio, o que pode repercutir na cúpula do G20 no fim deste mês e na visita à China do presidente norte-americano, Barack Obama, programada para novembro.
A queixa apresentada pela China abre um processo de consulta entre as duas partes. Se após 60 dias não chegarem a um acordo, o Órgão de Solução de Controvérsias da OMC se encarregará do assunto.
Com a decisão norte-americana, as ações dos fabricantes de pneus chineses caíram nessa segunda-feira. Os papéis da Double Coin Holdings Ltd. baixaram 10%, chegando a valer 19,01 yuans (2,78 dólares). Guizhou Tyre Co teve queda de 6,68% e Aeolus Tyre Co desvalorizou 3,31%.
No último domingo, o Ministério de Comércio da China abriu uma investigação após indústrias chinesas reclamarem de dumping e subsídios em importações de produtos automotivos e aviários dos Estados Unidos. Uma rádio estatal informou que a investigação “não é obviamente retaliação”, mas uma resposta a preocupações expressas pela indústria doméstica.
Nos primeiros sete meses de 2009, a China exportou 1,3 bilhão de dólares em pneus para os Estados Unidos, enquanto os norte-americanos venderam cerca de 800 milhões de dólares em produtos automotivos e 376 milhões de dólares em carne de frango para a China, segundo dados do Serviço de Informações sobre o Comércio Global divulgados no The New York Times.
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