Domingo, 29 de março de 2026
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O governo da China criticou nesta quarta-feira (23/07) a saída dos Estados Unidos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e definiu a decisão norte-americana como “uma conduta não responsável por parte de um grande país”.

De acordo com o porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, esta não é a primeira “que os EUA se retiram da Unesco, além de estarem em atraso com o pagamento das taxas de contribuição há algum tempo”

Ao reforçar que Pequim “sempre apoiou as decisões de trabalho da Unesco”, Guo convocou “a todos os países para reafirmarem seus respectivos compromissos com o multilateralismo, juntamente com a adoção de medidas concretas para apoiar o sistema internacional que tem as Nações Unidas em seu centro”.

De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, os EUA já foram o maior apoiador da entidade, mas nos últimos anos mantém “um relacionamento intermitente”, em especial, desde que Donald Trump assumiu o cargo presidencial pela primeira vez, em 2017. 

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun critica retirada dos Estados Unidos da Unesco
Chinese Foreign Ministry

EUA se retiram da Unesco

Na última terça-feira (22/07), Trump anunciou a retirada dos EUA da Unesco, acusando a entidade de promover uma agenda “globalista e ideológica”. Trata-se da terceira vez que Washington abandona o organismo. O mesmo movimento ocorreu na gestão de Ronald Reagan, em 1983, mas foi readmitido por George W. Bush em 2003. Já na segunda vez, em 2017, Trump voltou a retirar o país citando “atrasos crescentes e viés anti-Israel”, contudo, foi readmitido em 2023 sob a gestão de Joe Biden.

“A Unesco trabalha para promover causas sociais e culturais divisivas e mantém um foco descomunal nos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, uma agenda ideológica globalista para o desenvolvimento internacional em desacordo com nossa política externa America First”, afirmou Tammy Bruce, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

Segundo o governo Trump desta vez, a postura da Unesco contribui para a “proliferação da retórica anti-israelense dentro da organização”. 

Em nota, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, lamentou “profundamente” a decisão tomada pelo magnata, que terá efeito a partir de 31 de dezembro de 2026, mas garantiu que a saída norte-americana já era “esperada”.

“A Unesco se preparou para isso. Nos últimos anos, realizamos grandes reformas estruturais e diversificamos nossas fontes de receitas”, declarou. Segundo ela, a participação dos EUA no orçamento de organismos da ONU pode chegar a 40%, mas na Unesco essa fatia é de 8%.

Além disso, Azoulay rebateu as acusações de ser anti-Israel, apontando as ações da entidade na “educação sobre o Holocausto e na luta contra o antissemitismo”.

“A Unesco continuará a realizar essas missões, apesar dos recursos inevitavelmente reduzidos”, assegurou.

(*) Com Ansa