Chile refuta nova pressão boliviana por saída ao Pacífico
Chile refuta nova pressão boliviana por saída ao Pacífico
A um mês de vencer o prazo para que o Chile restitua à Bolívia um corredor de acesso soberano ao Oceano Pacífico, os dois vizinhos voltaram esta semana a trocar farpas, reascendendo uma disputa territorial que teve início há mais de cem anos e ainda permanece como um dos mais intrincados impasses da diplomacia latino-americana.
A Bolívia – que em um “artigo transitório” de sua nova Constituição estabeleceu o ano de 2012 para sanar todas suas pendências legais internacionais – enviou seu chanceler, David Cochehuanca, a Santiago no dia 17 de janeiro para o que ele mesmo classificou como o que seria “um dia histórico”.
Cochehuanca esperava sanar a disputa até o dia 23 de março. Mas a rodada de negociações terminou com um novo fiasco. “O Chile trabalha por resultados e não por datas”, declarou de forma taxativa o chanceler chileno, Alfredo Moreno.
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Fronteiras de Chile, Bolívia e Peru antes e depois da Guerra do Pacífico (1879-1883)
Diante do novo revés, restou ao presidente boliviano, Evo Morales, pedir empatia. “Assim como eu me ponho no lugar do governo do Chile, eu também queria que eles se pusessem no lugar do presidente boliviano”, disse Evo. “O povo chileno tem de entender esse pedido clamoroso.”
Os sinais emitidos por Santiago até agora são de que o atual governo seguirá uma tradição diplomática dos chilenos, que é a de manter os bolivianos otimistas, sem conquistas reais, mas cheios de promessas de diálogos e negociações intermináveis.
Apesar de ter perdido para o Chile a parte do território que lhe dava saída ao Pacífico, a Bolívia mantém desde o século XIX sua marinha de guerra e sua definição constitucional de país costeiro. É comum que os políticos bolivianos falem de revanchismo e justiça histórica, voltando fogo contra os vizinhos chilenos sempre que precisam aumentar sua popularidade doméstica ou subir nas pesquisas de intenção de voto.
Do lado chileno, reina o discurso da ponderação, próprio de um país que mantém um dos maiores investimentos bélicos da região e exerce soberania efetiva sobre o território em disputa.
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Além da antiga rinha territorial com a Bolívia, os chilenos também sofrem com a pressão do Peru, que reivindica na Corte de Haia, na Holanda, uma faixa de 95 mil km2 no Oceano Pacífico. Neste caso, a disputa é sobre como deve ser traçada a linha que limita a fronteira entre os dois países no mar. Os peruanos dizem que a fronteira deve ser um prolongamento da linha que divide os dois países em terra.
Isso faria com que um meridiano partisse do continente em direção ao mar, cortando em 45º a costa norte do Chile. Já os chilenos dizem que a linha divisória deve ser paralela às linhas latitudinais do globo, o que empurraria essa linha imaginária 45º graus na direção do mar peruano.
Ao contrário do discurso prudente – alguns bolivianos diriam que é quase submisso – de Evo, o presidente peruano, Alan García, tem optado por ataques diretos ao governo chileno.
Num de seus discursos mais duros, em novembro de 2009, García referiu-se ao Chile como “uma republiqueta”. Peru e Bolívia envolvem-se com freqüência em trocas de acusações de espionagem e sabotagem envolvendo militares mais exaltados, aparentemente ávidos por reproduzir o conflito armado entre Peru e Equador de 1995.
Embora seja conhecido como um sub-continente de relativa paz no que se refere aos conflitos armados internacionais, a América Latina tem pelo menos nove disputas fronteiriças latentes. A Nicarágua tem diferenças com Honduras, Costa Rica e Colômbia (pela posse do arquipélago de San Andrés), que, por sua vez, disputa territórios com o Equador e a Venezuela.
Esta última reivindica soberania sobre terras da Guiana, que pleiteia uma porção do Suriname. Peru, Chile e Bolívia vivem disputas sobre a terra e o mar que remontam a Guerra do Pacífico do século XIX e, por fim, a Argentina tenta reaver a soberania sobre as Ilhas das Malvinas, ou Falklands, onde o Reino Unido exerce domínio com respaldo militar.
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