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O presidente do senado do Chile, Jorge Pizarro, afirmou nesta quinta-feira (6/1) que o país está prestes a reconhecer o Estado Palestino pelas fronteiras anteriores a 1967. A declaração foi feita após uma reunião no palácio La Moneda entre o presidente Sebastián Piñera e chefes dos partidos com representação parlamentar.

“Ratificamos o acordo do senado, que certamente chegará à câmara nos próximos dias, confirmando que a postura do Chile é somente uma: estamos prestes a reconhecer o Estado da Palestina”, afirmou Pizarro, em menção a um projeto de acordo aprovado por unanimidade pelo senado na terça-feira (4/1), solicitando que Piñera e o chanceler chileno “reconheçam no mais breve prazo a existência da Palestina como um Estado pleno, livre e soberano”.

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O texto também pede a “promoção de dois estados independentes: Israel e Palestina, que convivam um ao lado do outro, dentro de fronteiras seguras e internacionalmente reconhecidas, conforme as resoluções das Nações Unidas”. O presidente já havia declarado, em novembro, sua intenção de declarar o reconhecimento da Palestina.

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“Quero expressar nosso mais firme, decidido e convencido apoio ao estabelecimento e existência de um Estado palestino livre, autônomo, próspero e seguro”, enfatizou Piñera em seu primeiro pronunciamento sobre o conflito palestino-israelense, durante uma cerimônia com a comunidade árabe no Chile. Na ocasião, Piñera também manifestou apoio a todos os atos “que promovam uma paz firme e permanente no Oriente Médio e, em particular, para o povo palestino”.

Lobby e cautela

A comunidade palestina do Chile – a maior fora do Oriente Médio, com quase 500 mil pessoas – aguarda a oficialização do reconhecimento com grande expectativa. O presidente da Federação Palestina do Chile, Mauricio Abu Ghosh, disse ao Opera Mundi que espera que a mudança da postura chilena em relação à Palestina não passe de janeiro. Ele se reuniu diversas vezes com o chanceler do país, Alfredo Moreno, para discutir o assunto. Segundo Abu Ghosh, o apoio chileno não se deve a um “efeito dominó” gerado pelo reconhecimento feito pelo Brasil, há cerca de um mês.

“Se estivéssemos seguindo os passos do Brasil, da Argentina e da Bolívia, o Chile já teria reconhecido o Estado Palestino. Acredito que o presidente quer ter muita certeza do que irá reconhecer”, explicou.

Segundo ele, o “lobby sionista” no país é “muito forte”, e se personaliza no ministro do Interior chileno, Rodrigo Hinzpeter Kirberg, entre outros políticos. “Isso faz com que o presidente leve mais tempo para analisar as normas internacionais e as resoluções da ONU. Se o reconhecimento chileno ainda não foi definido, é produto dos sionistas e não podemos fechar os olhos para isso”, garante.

O principal líder da comunidade judaica do país, Gabriel Zaliasnik, afirmou ao jornal chileno La Tercera que a decisão de reconhecer a Palestina arriscaria a posição do governo chileno na Corte Internacional de Justiça, onde corre um processo sobre as fronteiras marítimas com o Peru, estabelecidas após a Guerra do Pacífico (1879-1883). A defesa chilena na Corte se baseia na inviolabilidade dos tratados posteriores à guerra, que determinou a posse chilena sobre os territórios que o país conquistou do Peru e da Bolívia – que ficou sem saída para o mar.

Processo de paz

Para Abu Ghosh, o reconhecimento chileno deve mencionar a resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, de 1967, que determinava a retirada israelense dos territórios ocupados da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias.

“Seria uma grande decepção se o Chile não reconhecesse a Palestina com base nesta resolução, porque Israel nunca cumpriu os acordos e sempre impediu a criação de dois estados”, afirma o líder palestino.

Abu Ghosh palestino classifica de mentirosas e cínicas as afirmações de representantes do Ministério de Assuntos Exteriores israelense de que os reconhecimentos do Brasil e da Argentina “não ajudam na resolução do conflito”.

“O processo de paz praticamente não existiu nos últimos 18 anos. As negociações sempre ficam suspensas e Israel continua construindo assentamentos no território palestino e instalando postos de controle para impedir que os palestinos se movam de um lugar para o outro”, acusa.

Direitos humanos

Para Mauricio Hasbún, fundador da organização civil chilena Pró-Paz Palestina e Israel, a delimitação das fronteiras tem importância secundária para a conquista da harmonia entre os povos.

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“O principal problema do conflito árabe-israelense são os direitos humanos. Há palestinos em condições miseráveis em campos de refugiados e a população israelense tem que viver no segundo país mais militarizado do mundo. Todos têm direito a viver em uma sociedade normal, sem medo de um atentado terrorista, de uma bomba atômica, de ter de fazer serviço militar obrigatório de carga gigantesca”, defende Hasbún.

O palestino reconhece, no entanto, que uma posição de apoio do Chile à confimação do Estado palestino é importante para o avanço das negociações.

“Partindo de um reconhecimento mútuo dos dois estados, os governos da América Latina pressionam tanto o estado israelense, que não é disposto a negociar, como grupos extremistas como o Hamas, para que cheguem a um acordo e solucionem as questões de direitos humanos. Os dois estados têm de aprender a conviver”, conclui.





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Chile espera reconhecer Estado palestino nos próximos dias

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