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Os chilenos comemoram neste sábado (18/09) os 200 anos da conquista da independência da coroa espanhola, em 1810, que deu início à vida republicana do país. Na tarde de ontem, centenas de pessoas vieram oficiais içar uma grande bandeira nacional na Praça da Cidadania, em frente ao Palácio La Moneda, sede do governo.

A largada para a festividade pátria foi dada na noite de quinta-feira (16/09), com um espetáculo de luzes e imagens projetadas no Palácio La Moneda, presenciado por mais de 40 mil pessoas. As ruas de Santiago, capital do país, ganharam as cores da bandeira nacional: azul, vermelho e branco, presentes nos carros, na fachada de edifícios, restaurantes e lojas.

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Como a data do bicentenário caiu em um sábado, o governo chileno decretou sexta (17/09) e segunda-feira (20/09) como feriados irrevogáveis. As festas regadas a chicha e pisco (bebidas tradicionais do país) e animadas pelas danças típicas nas “fondas” (cabanas feitas com madeira e folhas de palmeira, montadas desde as primeiras festas da independência), demarcam a maneira chilena de comemorar seus 200 anos de independência.

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País em reconstrução

Todo o charme das atividades oficiais, no entanto, não consegue abrandar a preocupação com os problemas atuais enfrentados pelo país. Em um ano assolado por um terremoto, pelo desmoronamento de uma mina que deixou presos 33 trabalhadores, e pela greve de fome, há mais de dois meses, de prisioneiros mapuches, muitos chilenos não encontram razões para comemorar.

No dia 27 de fevereiro, localidades do centro do país foram fortemente afetadas por um dos piores terremotos já registrados, que atingiu 8.8 graus na escala Richter e foi seguido de um tsunami. O fenômeno matou 452 pessoas e deixou 800 desabrigados. Os planos emergenciais para atender às necessidades básicas dos atingidos ainda não foram suficientes para reconstruir todas as moradias demandadas pelas regiões mais afetadas.

Greve de fome

O bicentenário também é caracterizado pela greve de fome dos 35 índios mapuches presos sob a acusação de cometerem atos de violência em reivindicação aos seus territórios ancestrais. A lei anti-terrorista (criada em 1984, durante a ditadura militar e em vigor até os dias atuais), com a qual estão sendo julgados, deriva uma pena mais longa aos condenados e mais dificuldades de acesso a benefícios carcerários.

A persistência dos grevistas, que completam mais de dois meses sem a ingestão de alimentos para exigir o fim da aplicação da lei anti-terrorista em seus julgamentos, trouxe à tona a problemática da ocupação de terras indígenas e a necessidade de modificações da lei. O tema desencadeou um fogo cruzado de críticas entre autoridades governamentais e a oposição.

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Os mapuches não são cubanos

Na última quarta-feira (15), em um ato realizado no Congresso Pleno chileno, o presidente Sebastián Piñera deu a entender que o conflito atual se devia a heranças deixadas pela Concertação, a coalizão de centro-esquerda que governou o país desde o retorno à democracia no Chile, em 1990, até março de 2010: “Não podemos deixar de reconhecer que durante décadas, e talvez séculos, negamos às nossas comunidades originárias as oportunidades para seu progresso material e espiritual”, declarou.

Mineiros

Outra tragédia que marca o período das comemorações pátrias locais é o soterramento, no dia 5 de agosto, de uma mina no deserto do Atacama, no norte do Chile, que deixou 33 trabalhadores presos a 700 metros de profundidade. Apesar das confirmações de que todos estão vivos e em sem riscos iminentes de saúde, a angústia pelo resgate atraiu a atenção de todo o país.

Ontem (17/09), a máquina de perfuração usada no resgate chegou ao nível da galeria subterrânea onde as vítimas estão refugiadas. As estimativas são de que, entre outubro e novembro deste ano, os mineiros possam ser efetivamente resgatados.

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Chile comemora bicentenário da independência em ano de tensão por conflitos e tragédias

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