Chile autoriza grupo de Eike Bastista a construir a maior termoelétrica do país
Chile autoriza grupo de Eike Bastista a construir a maior termoelétrica do país
A Comissão de Avaliação Ambiental do Atacama autorizou, por unanimidade, nesta sexta-feira (25/02), a construção da maior central termoelétrica do Chile. A empresa MPX, do grupo do brasileiro Eike Batista, esperou dois anos pela aprovação do projeto, que gera controvérsias por utilizar seis usinas a base de carvão mineral.
A Central Castilla será instalada na costa chilena, 80 km ao sul da cidade de Copiapó. Com seis unidades a base de carvão mineral e duas turbinas a diesel, o complexo terá capacidade de gerar 2.100 MW e demandará um investimento estimado em 4,4 bilhões de dólares. O empreendimento chega ao país em um momento de crescente demanda energética, provenientes principalmente da atividade mineira, um dos pilares da economia chilena.
A aprovação, no entanto, passou por diversos obstáculos apresentados por organismos ambientais. Inicialmente, a Seremi (Secretaria Regional Ministerial de Saúde) da região do Atacama classificou o projeto de Batista como “contaminante”, o que paralisou o trâmite ambiental durante meses. Com a mudança do secretário, o parecer do empreendimento passou de “contaminante” para “incômodo”, o que viabilizava sua construção.
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Organizações opositoras à construção da central entraram na justiça com um recurso de proteção, alegando a ilegalidade da mudança. O desfecho do conflito se deu com a recente votação, que aprovou a alteração do parecer da Seremi e, consequentemente, abriu o caminho para que o projeto do brasileiro fosse erguido no deserto.
Segundo a MPX, a Central Castilla adotará altos padrões de controle ambiental, com um investimento orçado em mais de 1 bilhão de dólares e terá limites restritos de emissões contemplados nas novas normativas do Chile. “A responsabilidade sócio-ambiental está em nosso DNA”, afirmou o presidente da empresa, Eduardo Karrer. “Utilizaremos as mais avançadas tecnologias de controle ambiental e preservaremos áreas prioritárias para o ecossistema do Atacama”, garantiu.
Os ativistas, no entanto, defendem a diversificação da matriz energética do país e a diminuição das usinas a base de carvão. “Hoje é um dia negro para a história ambiental do Chile”, afirmou ao Opera Mundi Jan van Dijk, um dos representantes do Modema (Movimento de Defesa do Meio Ambiente), ao receber a notícia da aprovação.
De acordo com o movimento, 65% da potência geradora instalada correspondem a termoelétricas, 34% a hidroelétricas e 1% à eólica. O próprio presidente chileno, Sebastián Piñera, durante a campanha eleitoral, defendeu a diversificação da matriz energética do país.
“O que estamos fazendo é uma loucura. Nos últimos anos, basicamente aumentamos nossas fontes de energia a base de carvão. Vou me opor a todas as plantas termoelétricas que atentem gravemente contra o meio ambiente, as comunidades e à qualidade de vida. Somos imensamente ricos quanto a combustíveis do futuro”, afirmou, em relação à geração de energia eólica, geotérmica e mareomotriz.
Segundo Gabriel Roa Medvinsky, da organização Chao Pescao (Tchau Peixe, em português), além das emissões de gases contaminantes, um dos principais perigos da produção termoelétrica com base a carvão, é o resíduo pulverizado, que se acumula gradualmente no mar, na terra e é inalado.
No ano passado, após um trabalho de conscientização através das redes sociais e a realização de um documentário, a organização de Medvinsky conseguiu impedir a construção de uma termoelétrica a carvão próxima a reservas naturais. De acordo com o ativista, a ideia é gerar a mesma mobilização para impedir a construção da empresa de Batista, com a organização de manifestações em várias regiões do país em protesto contra a decisão.
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