Segunda-feira, 18 de maio de 2026
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O comandante militar da Força de Paz no Haiti (Minustah), general Luiz Guilherme Paul Cruz, descartou qualquer possibilidade de que o país caribenho volte a ser vítima de um regime político ditatorial, mesmo diante da perspectiva de vazio político, conflito no processo eleitoral e com a recente volta do ex-ditador Jean-Claude Duvalier – Baby Doc – ao país.

Para o general, a presença de forças internacionais no Haiti é suficiente para conter qualquer tentativa de golpe. “Hoje existe uma força militar no Haiti. Não há possibilidade de nenhum grupo conquistar poder ou ameaçar o Estado em função do uso indiscriminado de violência”, disse o comandante.

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“Eu não vejo a possibilidade de que aqui no Haiti se instale qualquer tipo de ditadura. O esforço da comunidade internacional, o mandato que as Nações Unidas nos dá é para que facilite ao governo viver de acordo com as leis haitianas. Qualquer coisa que seja fora das leis haitianas, eu creio que será veementemente condenado pela comunidade internacional”, destacou.

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Cruz evitou emitir opinião sobre os possíveis objetivos de Baby Doc com sua volta ao Haiti após 25 anos de exílio na França e justamente nesse período eleitoral. O chefe da Minustah preferiu referir-se ao ex-ditador como “mais um ator” no já conturbado processo político do país. “Ele é mais um ator dessa equação. É claro que todos os atores envolvidos estão movimentando suas peças. Cada um dos grupos vai movimentar-se para conseguir os seus objetivos”, comentou.

“Pelo visto, ele [Baby Doc] chegou ao Haiti com um passaporte do país. As autoridades estão avaliando sua presença”, disse o general. Ele confirmou que a Minustah foi informada com antecedência da chegada do ex-ditador.

“A Minustah foi informada por meio do representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Edmond Mollet. Ele foi informado que o Baby Doc viria ao Haiti”, afirmou. “Ficou aí a nossa participação. Não o escoltamos, não tomamos nenhum tipo de providência em relação à presença de Baby Doc no Haiti”, ressalvou.

Baby Doc chegou à capital, Porto Príncipe, no último domingo e foi recebido por centenas de simpatizantes. Ao chegar, disse que queria “ajudar na reconstrução do país” após o terremoto do ano passado, que deixou cerca de 300 mil mortos. No entanto, a volta de Baby Doc preocupa, porque ocorre em um momento de tensão política, devido à suspeita de fraude no primeiro turno das eleições presidenciais e indefinições em relação à realização do segundo turno. O mistério sobre seus reais objetivos continua intrigando os haitianos.

Ontem, o ex-ditador cancelou uma entrevista coletiva que daria na parte da tarde para falar sobre sua volta ao país.

Em 1971, Baby Doc herdou o poder de seu pai, o também ditador François Duvalier, conhecido como Papa Doc. Ele enfrentou uma insurreição popular em 1986 e partiu para a França com a família.

A Anistia Internacional pediu às autoridades do Haiti que processem judicialmente Baby Doc por crimes contra a humanidade. O atual presidente, René Préval, já disse anteriormente que o ex-ditador seria preso caso voltasse ao país.

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Chefe da Minustah diz que não há mais possibilidade de ditadura no Haiti

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